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Árvores urbanas como o principal sumidouro de carbono em Munique

Jovem com tablet analisando planta de árvores em área urbana perto de árvore na calçada ensolarada.

Cientistas descobriram que as árvores nas cidades funcionam como o principal sumidouro de carbono do ambiente urbano, retirando da atmosfera mais dióxido de carbono do que qualquer outro tipo de vegetação.

Em certos dias de verão, essa absorção pode igualar - ou até superar - a quantidade emitida pelo tráfego em toda a cidade.

Mapeando o carbono pela cidade

Entre ruas e parques de Munique, conjuntos de árvores removem dióxido de carbono do ar de forma contínua, enquanto, a poucos quarteirões, veículos devolvem esse gás à atmosfera.

Ao mapear essas trocas na escala de rua, Jia Chen, da Universidade Técnica de Munique (TUM), registrou com precisão onde a vegetação urbana de fato retira carbono do ar.

Nos dias quentes de verão, a captura é mais intensa quando o crescimento ativo das folhas incorpora carbono à madeira e aos tecidos vivos mais rapidamente do que as fontes próximas conseguem liberá-lo.

Saber exatamente em que lugares e em quais momentos esse equilíbrio se altera é um passo essencial para que as cidades consigam avaliar como diferentes tipos de áreas verdes interferem nos seus orçamentos de carbono.

Árvores absorvem mais carbono

Os totais agregados em escala municipal escondem nuances, mas a copa das árvores ainda apareceu como sumidouro: removeu mais CO2 do que emitiu.

Durante o dia, as folhas capturam CO2 por meio da fotossíntese, e uma parte desse carbono permanece armazenada na forma de nova madeira.

Em Munique, a vegetação como um todo compensou apenas uma pequena fração das emissões anuais de dióxido de carbono geradas pelas atividades humanas na cidade.

Ainda assim, mesmo alguns poucos por cento podem fazer diferença quando a administração tenta identificar fontes ausentes e acompanhar, ano a ano, se houve avanço.

Gramados liberam dióxido de carbono

Gramados baixos e relvados de parques se comportaram de maneira bem distinta das copas arbóreas quando os investigadores mediram o dióxido de carbono em Munique. Abaixo do solo, a respiração do solo continuou empurrando carbono para cima, tanto de dia quanto de noite.

Como a respiração do solo foi maior do que a fotossíntese, áreas gramadas acabaram liberando mais dióxido de carbono do que prenderam ao longo de um ano.

Decisões de manejo - como irrigar, adubar e cortar - podem deslocar esse balanço para um lado ou para o outro; por isso, o papel climático de um gramado não é imutável.

Verão amplia a absorção de carbono

Dias quentes e com muita luminosidade provocaram as maiores variações, já que a fotossíntese acelera com luz e boas condições de crescimento.

Depois que escurece, as folhas deixam de absorver CO2, mas plantas e solos seguem respirando; assim, a troca líquida pode tornar-se positiva.

No inverno, árvores caducifólias perdem área foliar, a captação diminui, e a respiração de fundo continua presente em gramados e raízes.

Mapas sazonais, mês a mês, ajudam a decidir quando irrigar, podar ou proteger o solo, em vez de tratar a área verde como se fosse sempre igual.

Testes de campo confirmam os resultados

Os investigadores conectaram os mapas da cidade a medições diretas feitas em parques e áreas florestadas.

Para verificar os valores, técnicos acompanharam árvores e solos no local e, em seguida, compararam esses sinais com o que o mapa indicava.

De abril de 2024 a fevereiro de 2025, o grupo reuniu medições de campo de plantas e solo em parques urbanos para validar o modelo.

As verificações mostraram forte concordância no geral, mas também apontaram locais em que a respiração no verão ou o sincronismo sazonal ainda precisam de ajustes.

Pixels de satélite misturam superfícies

Um único pixel de satélite pode incluir tanto folhas quanto asfalto; desse modo, um número só pode estar descrevendo duas superfícies muito diferentes ao mesmo tempo.

Quando superfícies impermeáveis - pavimentos e telhados onde a água não infiltra - dividem o pixel com vegetação, o vigor do verde pode parecer menor do que realmente é.

Em Munique, cerca de 35% dos pixels classificados como vegetados incluíam alguma área selada, sobretudo perto de árvores de rua e faixas gramadas.

Essa mistura pode distorcer os totais da cidade e comparações no nível dos parques, o que torna os mapas de alta resolução mais úteis quando acompanhados de observação local.

Planejamento com números melhores

Mapas mais precisos podem apertar o inventário de emissões - a contagem contínua de gases de efeito estufa - para que os debates de políticas públicas partam das mesmas referências.

Ao separar a troca de CO2 conduzida pelas plantas das fontes ligadas ao tráfego e ao aquecimento, analistas conseguem enxergar onde a contabilidade ainda não reflete o que ocorre no mundo real.

Depois de Munique e de Zurique, na Suíça, a equipa pretende aplicar o mesmo método em outras cidades interessadas em monitoramento climático em grão fino.

Com evidências mais claras, planeadores podem sustentar a proteção de árvores de rua e o redesenho de parques, sem fingir que toda mancha verde contribui do mesmo modo.

Benefícios das árvores urbanas

Além de capturar carbono, árvores urbanas ajudam a resfriar o ambiente, a gerir a água da chuva e a promover benefícios de saúde pública - fatores que valorizam a área verde mesmo quando o ganho de carbono é limitado.

A sombra reduz a incidência de radiação solar, e a evapotranspiração - água absorvida e liberada como vapor - resfria o ar ao sair das árvores.

“Entre outras coisas, elas reduzem a temperatura na cidade no verão, servem como áreas de infiltração e melhoram a qualidade de vida”, disse Chen.

Mesmo quando a conta do carbono não é tão favorável, árvores de sombra continuam a refrescar ruas e a lidar com a água da chuva, o que mantém as escolhas urbanas complexas.

Carbono varia entre quarteirões

Parques de bolso, árvores de rua e jardins residenciais criaram um mosaico, fazendo a captação de carbono subir e descer em distâncias curtas.

Em vez de diluir isso em médias, o mapa de Chen evidenciou quais pontos da cidade realmente alteraram o balanço de CO2 no ar.

“Nossa análise de alta resolução revela quais áreas realmente têm impacto no clima”, diz Chen.

Mapas quarteirão por quarteirão facilitam explicar compensações aos moradores, porque o papel climático das áreas verdes fica concreto, e não abstrato.

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