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Espanha considera êxito do multilateralismo operação nas Canárias com o MV Hondius e surto de hantavírus

Funcionária de saúde checa passageiro com colete laranja antes de embarque em navio no porto.

Operação nas Canárias e protocolos sanitários no MV Hondius

A Espanha afirmou nesta segunda-feira que a operação conduzida nas Canárias envolvendo o navio “MV Hondius”, afetado por um surto de hantavírus, representa um “êxito do multilateralismo”. Segundo as autoridades espanholas, todos os protocolos sanitários internacionais foram cumpridos, mesmo após a confirmação de testes positivos em dois passageiros retirados da embarcação.

Em entrevista coletiva realizada hoje em Tenerife, a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, declarou que, a bordo do navio, foram seguidos os procedimentos internacionais, especialmente em relação a inquéritos epidemiológicos e à realização de testes. Ela disse que essas medidas foram conduzidas por especialistas do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que viajaram no “MV Hondius” a partir de Cabo Verde, onde a embarcação permaneceu em quarentena.

A ministra também ressaltou que a operação nas Canárias mobilizou mais de 20 países, além de várias organizações internacionais. Incluiu ainda o rastreamento de todos os contatos de pessoas que tiveram interação com passageiros e tripulantes do “MV Hondius” nas últimas semanas - esforço que, segundo ela, já pode ser considerado “um êxito do multilateralismo e do conceito de saúde global”.

“Podemos sentir-nos orgulhosos como país e das instituições internacionais”, acrescentou.

Casos positivos, desembarque e repatriamento

Dois passageiros que no domingo foram retirados do cruzeiro “MV Hondius” e repatriados a partir da ilha de Tenerife - no arquipélago espanhol das Canárias - para a França e para os Estados Unidos (EUA) testaram positivo para infecção por hantavírus, de acordo com informações divulgadas hoje pelos respectivos países.

No caso do cidadão norte-americano, as autoridades dos EUA informaram que se tratava de um resultado “positivo fraco”, obtido ainda a bordo do navio.

Mónica García explicou que, para esse passageiro, um dos testes deu negativo e outro foi inconclusivo, e que os EUA optaram por tratá-lo como positivo. Por esse motivo, segundo a ministra, foram aplicadas medidas específicas de controle e isolamento durante o desembarque e o repatriamento.

Em relação ao passageiro francês, as autoridades de Paris indicaram que ele começou a apresentar sintomas durante o voo de repatriamento, e que o teste realizado na chegada confirmou o resultado positivo.

Sobre esse caso, Mónica García afirmou que não se trata de colocar em dúvida a validade das avaliações realizadas a bordo. Ela lembrou que o vírus pode ter um período de incubação de até 42 dias, o que significa que os sintomas e a doença podem aparecer a qualquer momento e de forma súbita.

A ministra observou ainda que, conforme o que foi definido para esta operação, depois de retirados do navio nas Canárias e encaminhados aos voos de repatriamento, passageiros e tripulantes passam a seguir os protocolos sanitários de seus próprios países - e tais protocolos podem variar.

No domingo, 94 pessoas de 19 nacionalidades desembarcaram e foram repatriadas em oito voos.

Para hoje, está programado o desembarque de mais 22 pessoas, de diferentes nacionalidades, que seguirão juntas em um único voo para os Países Baixos, país do armador do navio, segundo Mónica García.

Essa decisão altera o plano inicialmente previsto para esta segunda-feira, que previa dois voos: um para a Austrália e outro para os Países Baixos.

A previsão é de que o avião com essas 22 pessoas decole antes das 19:00 no horário local (mesmo horário de Lisboa). Na sequência, o navio deve zarpar rumo a Roterdã com 32 tripulantes a bordo, onde passará por desinfecção.

O governo espanhol informou que, na manhã de hoje, o “MV Hondius” já foi reabastecido com combustível e alimentos, para que possa partir no fim da tarde.

Após a saída da embarcação, o porto de Granadilla, onde o navio está ancorado, será desinfetado.

Hantavírus Andes: transmissão, sintomas e risco

A OMS confirmou até o momento seis casos de infecção por hantavírus em pessoas que viajaram no cruzeiro “MV Hondius”, que deixou o sul da Argentina no início de abril. Três pessoas morreram.

Em geral, o hantavírus é transmitido a partir de roedores infectados. Já a variante identificada no navio, o hantavírus Andes, é rara e pode ser transmitida de pessoa para pessoa.

No começo, os sintomas da infecção costumam se assemelhar aos da gripe, como tosse, fadiga e dores de cabeça e musculares.

A OMS afirma que o risco desse surto para a população em geral é baixo.

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