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Ben Smith diz que saída do IAG é positiva e Air France-KLM prepara oferta pela TAP

Homem de terno em escritório com maquete de avião e mapa, olhando para pista de aeroporto com aviões ao fundo.

Privatização da TAP e posição da Air France-KLM

Ben Smith, presidente executivo do grupo Air France-KLM - um dos dois concorrentes no processo de privatização da TAP - avalia como “definitivamente positiva” a decisão do grupo IAG (controlador da Iberia e da British Airways) de abandonar a disputa.

Questionado por jornalistas portugueses sobre eventuais efeitos do conflito no Oriente Médio e das restrições no Estreito de Ormuz nos combustíveis, Smith afastou, por ora, qualquer consequência direta sobre a privatização da companhia portuguesa. “Não estamos a ver possa haver alguma mudança ou alteração [em relação à privatização da TAP] neste momento”, declarou.

Oferta vinculativa: prazos e reforço na América Latina

Smith disse que a Air France-KLM pretende apresentar uma oferta “tão forte que puder”. Mais cedo, ao falar com analistas durante a coletiva de apresentação de resultados, o executivo já havia indicado que o grupo entregaria uma proposta vinculativa até agosto, dentro do cronograma atualmente em vigor.

O CEO do grupo franco-neerlandês voltou a destacar o peso estratégico de Lisboa e da própria TAP para fortalecer a operação rumo à América Latina. “A localização geográfica de Lisboa, para reforçar a nossa já forte posição na América Latina, continua a ser muito importante“, disse Smith em teleconferência com analistas após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, segundo a agência Bloomberg. “Apresentaremos a oferta mais forte que pudermos“.

Análise financeira e jurídica antes da proposta

De acordo com o diretor financeiro Steven Zaat, o grupo pretende conduzir uma avaliação detalhada dos aspectos financeiros e jurídicos antes de formalizar a oferta vinculativa, que deve ser apresentada no fim de julho ou no começo de agosto.

Resultados do 1º trimestre e efeito do jet fuel

A Air France-KLM registrou um prejuízo de 287 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, ligeiramente abaixo dos 292 milhões apurados no mesmo período de 2025. Segundo a empresa, os três primeiros meses do ano ainda não refletiram o aumento do custo do combustível, mas, mesmo assim, a operadora revisou para baixo as projeções para o conjunto de 2026.

A incerteza associada ao conflito no Oriente Médio e seus efeitos no preço do jet fuel - que mais do que dobrou - levou o grupo a reduzir as estimativas de capacidade e a elevar as previsões de custos.

Dona da Transavia, a companhia reportou alta de 4,4% na receita, que chegou a 7.479 milhões de euros, valor ligeiramente inferior aos custos operacionais, mantidos em 7.506 milhões de euros. O desempenho foi favorecido por uma queda de 15% na conta de combustível, já que o impacto do aumento de preços ligado à guerra no Oriente Médio ainda não havia se materializado.

Ainda assim, a empresa prevê que o impacto do jet fuel será relevante neste ano. A Air France-KLM precisou rever de forma expressiva para cima as estimativas de despesa com combustível em 2026: a projeção agora é de cerca de 9.300 milhões de dólares, 2.400 milhões acima do que havia sido calculado anteriormente.

Considerando esse fator e o atual ambiente geopolítico - marcado por alto grau de incerteza - o grupo também reduziu as perspectivas de negócios para o ano.

Apesar da “incerteza”, Ben Smith afirmou que a empresa segue “plenamente empenhada na execução da sua estratégia.”

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