Cerimônia de recepção e reconhecimento no Edifício Libertador
Depois de concluir mais de 20 dias de atividades nas áreas atingidas pelos terremotos que abalaram a República Bolivariana da Venezuela em 24 de junho, o contingente argentino que integrou a missão de assistência humanitária foi homenageado nesta quinta-feira, em uma cerimônia de recepção realizada nas escadarias do Edifício Libertador. Participaram do ato o ministro da Defesa, Tenente-General Carlos Alberto Presti; o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Vice-almirante Marcelo Alejandro Dalle Nogare; e representantes do Exército Argentino, da Marinha Argentina e da Força Aérea Argentina, que distinguiram o efetivo envolvido no desdobramento.
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No encontro, estiveram reunidos militares das três Forças Armadas que participaram da operação, tanto no primeiro quanto no segundo escalão enviado à Venezuela. Além do pessoal, o evento contou com uma exibição das principais capacidades empregadas durante a missão, incluindo plantas de potabilização de água, tendas sanitárias, cozinhas de campanha, drones, viaturas e outros equipamentos utilizados nas tarefas de busca e salvamento, atendimento de saúde e suporte logístico.
A homenagem ocorreu apenas um dia após a chegada ao país do último contingente, formalizando o encerramento de uma operação que colocou a Argentina como o segundo país com maior desdobramento de pessoal para apoiar a emergência, atrás apenas dos Estados Unidos. Em uma breve conversa com a Zona Militar, o General Martin, Subsecretário de Planejamento Operacional e Serviço Logístico da Defesa, ressaltou a dimensão do esforço ao afirmar que “a Argentina foi a segunda em magnitude de gente” enviada para cooperar com as autoridades venezuelanas.
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Como começou a missão de assistência humanitária da Argentina na Venezuela
A missão teve início em 25 de junho, quando o Ministério da Defesa determinou o envio de um primeiro contingente composto por brigadas de busca e resgate em estruturas colapsadas, binômios caninos da Marinha Argentina, uma Equipe Médica Conjunta para triagem e primeiro atendimento de feridos, especialistas em risco sísmico, operadores de estações leves de potabilização de água, equipe veterinária, operadores de máquinas de obras viárias e meios de apoio logístico.

Diante da dimensão da crise, em 1.º de julho foi incorporado um segundo escalão, reforçando o dispositivo com o transporte de 16 toneladas de ajuda humanitária, reunindo insumos médicos, medicamentos, alimentos e equipamentos. Também passaram a integrar o esforço especialistas em Saúde e Saúde Mental da Marinha Argentina, equipe veterinária do Exército Argentino, militares especializados em ações Químicas, Biológicas e Nucleares (QBN), novas brigadas militares e binômios de busca com cães. O deslocamento de pessoal e material foi realizado com aeronaves Embraer ERJ-140LR e Hércules C-130 da Força Aérea Argentina.
Resultados em 18 dias: patrulhas, resgate e água potável
Ao longo dos 18 dias de operações, o contingente argentino realizou 234 patrulhas, sendo 90 voltadas à busca com binômios caninos, 108 dedicadas a ações de resgate e 36 a missões combinadas. Em paralelo, as plantas de potabilização produziram mais de 210.000 litros de água potável, abastecendo tanto o efetivo desdobrado quanto a população afetada, enquanto as equipes sanitárias prestaram atendimento médico e apoio nos centros de assistência montados nas áreas mais comprometidas.

Para o Major Víctor Julián Díaz, comandante da Companhia de Engenheiros de Água 601, um dos pontos mais significativos da missão foi a dedicação demonstrada por quem esteve no terreno. “Hoje em dia acho que isso é o que nos enche de orgulho. O pessoal da companhia nos representou e atravessou jornadas em que praticamente não pôde descansar, com um trabalho diário focado em cumprir cada um dos objetivos da missão. Estão muito orgulhosos de ter participado de uma assistência humanitária tão importante”, afirmou.
O oficial também enfatizou a relevância da planta de potabilização, apontada como uma das capacidades argentinas de maior repercussão durante a emergência. “Oferecer água segura foi levar o essencial. Aqui a gente abre uma torneira e a água sai; lá isso não acontecia. O sistema tinha colapsado e a água não era segura. Poder levar água, não apenas para o contingente, mas também para a população, foi o que tornou essa capacidade tão importante”, explicou.



Díaz lembrou ainda que a planta foi desenvolvida pelo próprio Exército Argentino e concebida para ser rapidamente projetada por via aérea. “É uma planta multimodal que pode ser transportada em avião, como ocorreu nesta missão, o que representa uma capacidade muito importante para responder com rapidez diante desse tipo de emergência”, disse.
Ao falar sobre o efetivo sob seu comando, o major não escondeu a emoção. “É indescritível. Chegar a este papel de comandante e dispor de um pessoal não apenas capacitado, mas com tamanha vocação de serviço e vontade de contribuir para algo que os supera. Foram a um país irmão, latino-americano, levar algo tão essencial quanto a água; literalmente, levaram vida”, concluiu.
Por outro lado, entre os destaques do dia estiveram os seis cães de busca e resgate que atuaram na Venezuela. O contingente argentino empregou seis binômios caninos, quatro pertencentes à Infantaria de Fuzileiros Navais da Marinha Argentina e dois ao Exército Argentino, com papel central na localização de pessoas sob estruturas colapsadas.

Durante a coletiva realizada após a cerimônia, o ministro da Defesa, Tenente-General Carlos Alberto Presti, registrou seu reconhecimento ao efetivo desdobrado. “Sentimos uma profunda emoção e um orgulho muito grande de que tenham podido ajudar a população da Venezuela em momentos críticos. Demonstraram a capacidade que têm, o adestramento e a preparação para ajudar a população em situações de crise. Estamos muito orgulhosos de que estejam de volta com a missão cumprida”, declarou.
Questionado sobre as qualidades do efetivo argentino nesse tipo de operação, o ministro sustentou que a experiência acumulada em missões internacionais é um dos principais diferenciais. “Temos muita experiência em missões de paz das Nações Unidas e as características que tem o soldado argentino, além de cumprir plenamente sua missão, são a empatia, o equilíbrio e a identificação com as pessoas que sofrem. Essa é uma das características do soldado argentino”, concluiu.
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