Ricardo Catanant, ex-diretor da ANAC (2019-2025), chamou atenção para a necessidade de relações comerciais estáveis, sustentadas por previsibilidade e confiança, entre companhias aéreas, aeroportos e empresas de serviços em solo.
Contratos claros para companhias aéreas, aeroportos e serviços em solo
Para ele, contratos objetivos e bem delimitados, combinados com rotinas regulares de coordenação, são fundamentais tanto para reduzir disputas quanto para criar um ambiente que incentive investimentos em equipamentos, renovação e capacitação.
Da lógica da culpa à gestão de riscos
Catanant advertiu que a prática atual no Brasil - que admite a troca de fornecedores sem justificativa - acaba prejudicando o setor, pois desestimula aportes em modernização e em treinamento. Na sua avaliação, o caminho é substituir a cultura de buscar culpados por uma abordagem de gestão de riscos, fortalecendo uma mentalidade de segurança e de aprendizado sistêmico.
Coordenação setorial e autorregulação CRES
Ele também enfatizou o papel de mecanismos de coordenação do próprio setor, como códigos de conduta, padrões técnicos e fóruns permanentes, por ajudarem a diminuir atritos e elevar a eficiência operacional. Nesse contexto, destacou as vantagens do sistema de autorregulação CRES, que comprova a melhoria contínua dos serviços e pode contribuir para reduzir custos, como os de seguros.
Segundo Catanant, iniciativas internacionais vêm atribuindo valor a padrões privados e à autorregulação, e o equilíbrio entre controle estatal e cooperação é determinante para alcançar resultados efetivos. Para o desenvolvimento sustentável do setor aeroportuário e de serviços em solo, ele aponta como mais eficientes modelos híbridos e dinâmicos, ajustados às condições do mercado.
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