Entre reencontros e despedidas, o Cortejo da Queima das Fitas voltou a encher a cidade dos estudantes de alegria e tradição.
Ao som de buzinas, música e cânticos acadêmicos, o Cortejo da Queima das Fitas voltou neste domingo às ruas de Coimbra, juntando milhares de estudantes, ex-alunos e famílias em uma das tradições mais simbólicas da cidade. Os carros alegóricos preparados pelos fitados do Ensino Superior de Coimbra saíram da Rua Larga por volta das 14h30, seguindo em direção à Avenida João das Regras, em um desfile marcado por celebração e encontros entre gerações acadêmicas.
Quinta geração
Reencontros e expectativas entre gerações acadêmicas
Como manda a tradição, os antigos estudantes abriram o cortejo, muitos deles de volta a Coimbra décadas depois de concluírem a graduação. Maria Manuel, ex-estudante de Direito, acompanhava o carro número 2. Neste ano, vive a Queima em dose dupla: como antiga aluna de Direito e como mãe de um fitado de Engenharia Física. Com a pasta e as fitas acadêmicas ainda nas mãos, aproveitou para reencontrar colegas e revisitar memórias do período em Coimbra. "É a quinta geração na minha família que estuda em Coimbra. Desde o meu bisavô que estudamos aqui", contou ao JN.
Enquanto esperavam a saída do carro, Maria Rita Paulino e Matilde Serafim, de Ciências Farmacêuticas, observavam os colegas mais velhos junto ao desfile. As estudantes, matriculadas em um curso com mestrado integrado de cinco anos, explicaram que só nos próximos anos letivos vão participar da organização do cortejo acadêmico. Mesmo sem viverem ainda a experiência como finalistas, dizem já sentir "anseio" e "grandes expectativas" em relação ao momento.
Já Margarida Oliveira, finalista de Serviço Social, define o cortejo como um instante de forte carga emocional. "É um misto de emoções, de muita alegria, mas também de tristeza por saber que vai acabar", confessou. Ainda assim, reforça o caráter singular do percurso acadêmico na cidade: "Não há uma experiência igual a Coimbra".
Percurso alterado
Também entre os estudantes do Politécnico, o dia foi vivido com emoção. Grigore Durbaca, finalista de Engenharia Eletromecânica, caminhava ao lado da mãe, Maria Durbaca, para marcar o seu último ano em Coimbra. O estudante lamentou, porém, a falta de um carro representando o curso no cortejo deste ano, o que atribuiu à "falta de organização". Mesmo assim, fez um balanço positivo da passagem pela cidade: "A minha vivência em Coimbra foi cinco estrelas", afirmou. Maria Durbaca, por sua vez, disse ter ficado impressionada com o simbolismo da tradição acadêmica coimbrã, classificando-a como "muito bonita". Ainda assim, lamentou alguns excessos ligados ao consumo de álcool durante as festividades.
Mudança no trajeto por causa do Metrobus
O cortejo deste ano também ficou marcado pela mudança no trajeto habitual, por conta das obras do Metrobus na Baixa. Pela primeira vez, os carros alegóricos deixaram de passar pela Rua da Sofia. Apesar da alteração, o clima seguiu festivo durante toda a tarde, com milhares de pessoas ocupando calçadas, varandas e escadarias para acompanhar a passagem dos estudantes.
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