A Flybondi, pioneira entre as companhias aéreas ultra low-cost da Argentina, atravessa uma fase delicada, cercada por mais interrogações do que garantias sobre a continuidade do negócio.
Reestruturação da Flybondi e dúvidas sobre o rumo
De acordo com o Aviacionline, a recente chegada de novos responsáveis pelas áreas de operações de solo e de voo indica uma tentativa de reorganização após uma forte perda de credibilidade. Ao mesmo tempo, a empresa busca renegociar compromissos financeiros e mexer na malha, ainda sem sinal claro de qual cenário, na prática, será colocado em pé.
Fontes do Ministério dos Transportes acompanham a evolução do caso de perto e chamam atenção para o risco de a companhia manter a venda de passagens para voos que talvez não cheguem a ser operados. Ainda assim, ressaltam que, por se tratar de uma empresa privada, a solução depende da própria Flybondi.
Histórico do setor na Argentina
Desde 1919, dezenas de companhias aéreas deixaram de operar no país - muitas hoje quase esquecidas -, enquanto outras tiveram passagens marcantes, como Avianca Argentina, LATAM Argentina, LAPA, SW e Dinar.
O quadro atual da Flybondi tem particularidades: além de ter sido a primeira do nicho ultra low-cost na Argentina, a empresa já ultrapassou a marca de oito anos de operação, um período acima da média regional, onde diversas companhias não resistem nem ao primeiro ano.
Ao longo desse tempo, a Flybondi passou pela pandemia, que praticamente parou o setor por quase um ano, e também lidou com entraves do regime econômico local, que dificultaram o acesso a dólares necessários para despesas essenciais, como leasing e manutenção. Esse contexto, somado a falhas de planejamento, ajudou a desembocar na crise atual.
Operação em deterioração e situação da frota
Nos últimos dias, o cenário operacional piorou. Em 25 de junho, os voos começaram a partir com atrasos expressivos e, em 2 e 3 de julho, diversas decolagens foram canceladas, incluindo rotas saindo do Aeroparque e de Ezeiza para destinos como Bariloche, Puerto Iguazú e Ushuaia. Também circulam relatos de que o fornecedor de combustível teria interrompido o abastecimento, o que adicionou mais um obstáculo.
Apesar dessas dificuldades, há sinais de que algumas aeronaves estão voltando à operação após passarem por manutenção, com a expectativa de chegar a uma frota consolidada de nove aviões até o fim do ano. Mesmo assim, a perspectiva para os próximos meses segue desfavorável, com previsões negativas pelo menos até agosto.
Pressões trabalhistas e financeiras
No campo trabalhista, a companhia encontra obstáculos para segurar o quadro de pessoal, que já encolheu de 1.200 para aproximadamente 700 funcionários. Além disso, muitos ex-empregados ainda aguardam o pagamento de indenizações e benefícios, o que dificulta tanto a atração quanto a retenção de profissionais.
Do ponto de vista financeiro, a Flybondi tenta negociar dívidas com fornecedores e enfrenta disputas na Justiça, incluindo ações coletivas movidas por passageiros afetados por cancelamentos e multas de valores milionários aplicadas por órgãos de defesa do consumidor em várias províncias.
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