Em poucos segundos de vídeo, o presidente da maior companhia aérea do Canadá acabou no centro de uma tempestade política. O motivo? Depois de uma catástrofe aérea, ele não falou em francês.
O acidente do voo regional da Air Canada em LaGuardia
Em 22 de março, um voo regional da Air Canada colidiu com um caminhão do corpo de bombeiros na pista do aeroporto LaGuardia, em Nova York. O veículo atravessava a pista para atender a outro chamado e não conseguiu parar a tempo, apesar dos apelos desesperados do controlador de tráfego aéreo.
O impacto foi violento: o nariz da aeronave ficou completamente destruído, causando a morte imediata dos dois pilotos, Antoine Forest e Mackenzie Gunther. Cerca de quarenta passageiros, por sua vez, foram levados ao hospital - alguns em estado muito grave.
Língua francesa e identidade no Canadá
Michael Rousseau, CEO da Air Canada desde 2021, apareceu em um vídeo para prestar condolências às famílias das vítimas, como era de se esperar. Porém, cometeu um erro considerado gravíssimo: falou apenas em inglês.
Isso porque, no Canadá, francês e inglês são as duas línguas oficiais do país. E no Québec - província francófona onde a Air Canada mantém sua sede, em Montreal - a questão do idioma é profunda, ligada à identidade e marcada pela história.
Desde a década de 1970, o Québec defende de forma contundente sua língua diante da predominância do inglês. A lei 96, aprovada recentemente, exige que empresas com mais de 25 funcionários certifiquem o francês como principal língua de trabalho. Já a Air Canada é legalmente obrigada a atender seus clientes nas duas línguas, em conformidade com a Lei das Línguas Oficiais.
Reação política e aposentadoria de Michael Rousseau
Assim, falar apenas em inglês após a morte de um piloto francófono passou a ser visto como uma falta grave. O primeiro-ministro, Mark Carney, foi direto, afirmando que Rousseau demonstrou falta de "discernimento" e de "compaixão". As desculpas do CEO - que disse estar "profundamente entristecido" com a situação - não bastaram para conter a crise. Ele acaba de anunciar sua aposentadoria, prevista para ocorrer até o fim do terceiro trimestre de 2026.
O episódio não foi o primeiro a gerar esse tipo de polêmica em torno do dirigente. Em 2021, o então primeiro-ministro Justin Trudeau já o havia criticado publicamente por fazer um discurso quase todo em inglês… em Montreal. Na época, Rousseau prometeu avançar no francês, com 300 horas de aulas. Pelo visto, o resultado não foi o esperado.
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