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NAV Portugal: atrasos na gestão de tráfego aéreo caem 18%

Controlador aéreo operando radar em torre de aeroporto com vários aviões visíveis pela janela.

Os atrasos atribuíveis à gestão do tráfego aéreo diminuíram 18%, de acordo com o presidente da NAV.

Investimentos tecnológicos

Em entrevista à Lusa, Pedro Ângelo afirmou que essa evolução positiva nos atrasos resulta de investimentos em tecnologia e de ajustes na operação. Segundo ele, a tendência de aumento do tráfego deverá manter-se nos próximos anos.

Crescimento do tráfego e recorde de movimentos

“Em 2025, voltámos a bater um recorde em termos do número de movimentos de tráfego aéreo nas duas regiões de informação de voo sob responsabilidade da NAV Portugal”, declarou o presidente do conselho de administração da empresa responsável pela gestão do tráfego aéreo em Portugal.

De acordo com o responsável, ao longo do ano foram contabilizados 913.000 movimentos, “o que representa um aumento de 5% face a 2024”.

Esse crescimento verificou-se nas regiões de informação de voo (FIR) de Lisboa e de Santa Maria, abrangendo tanto voos com origem ou destino em aeroportos portugueses como voos em sobrevoo do espaço aéreo nacional, incluindo o Atlântico.

Indicadores operacionais e atrasos

Mesmo com maior pressão sobre o sistema, os indicadores operacionais apresentaram melhorias, com destaque para os atrasos relacionados com o controlo de tráfego aéreo.

“Apesar deste crescimento do tráfego, foi possível alcançar uma redução muito significativa no número de atrasos, na ordem dos 18%, considerando o controlo de tráfego aéreo prestado em rota e nos terminais”, disse.

Pedro Ângelo sublinhou ainda que o desempenho nacional continua competitivo no contexto europeu e que estes resultados refletem o reforço de recursos humanos, uma reorganização interna e melhorias operacionais implementadas nos últimos anos.

Reorganização do espaço aéreo e desafios em Lisboa

O dirigente acrescentou que a NAV está a preparar uma ampla reorganização do espaço aéreo português - que classificou como “a maior mudança no espaço aéreo” prevista para os próximos anos - através da criação de novos setores de controlo em rota, com o objetivo de responder ao aumento do tráfego.

Entre as iniciativas que contribuíram para a melhoria, apontou a consolidação de sistemas tecnológicos e de procedimentos de gestão do tráfego, incluindo o sistema de sequenciação de chegadas, conhecido como “sistema de mesclagem por pontos”, que permite organizar de forma mais eficiente as aproximações das aeronaves ao aeroporto de Lisboa.

Ainda assim, reconhece que o crescimento do tráfego continuará a impor desafios operacionais, sobretudo num cenário em que o principal aeroporto do país funciona perto do limite.

“O aeroporto de Lisboa opera com uma única pista, o que, na prática, impede que tenha melhor desempenho”, afirmou.

Apesar dessas restrições, a NAV mantém a perspetiva de continuidade do crescimento.

“Essa é a nossa expectativa. O que temos visto nos últimos anos é que temos sempre conseguido superar as previsões feitas pelo gabinete de estatísticas da Eurocontrol”, disse.

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