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Depois de firmar, nos últimos anos, uma série de acordos considerados estratégicos com a Base Industrial de Defesa do Brasil, o EDGE Group avançou mais um degrau na sua expansão internacional ao comunicar a compra de 100% da AKAER - uma das referências brasileiras em engenharia aeroespacial. Com a transação, o conglomerado dos Emirados amplia sua presença no país e passa a incorporar mais de três décadas de experiência acumulada no desenvolvimento de soluções avançadas para os segmentos aeroespacial e de defesa, reforçando competências vistas como centrais para programas futuros.

Aquisição de 100% da AKAER pelo EDGE Group
Divulgado em 16 de julho, a partir de Abu Dhabi e São José dos Campos, o entendimento ainda depende das aprovações regulatórias aplicáveis e do atendimento às condições normalmente exigidas em operações desse tipo. Uma vez efetivada, a compra dá ao EDGE uma base robusta de engenharia em território brasileiro, sustentada por uma equipa multidisciplinar habituada a atuar em todas as fases do ciclo de vida de um produto - do projeto conceitual à industrialização.
O grupo também informou que a AKAER seguirá reconhecida como Empresa Estratégica de Defesa (EED), manterá as suas atividades no Brasil e continuará a prestar serviços aos clientes que já atende no país.
Integração industrial, UAV e capacidades em sensores
A transação aprofunda ainda uma ligação que as duas organizações já vinham construindo em torno do desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados (UAV). A partir dessa integração, o EDGE procura encurtar e acelerar a industrialização de programas considerados estratégicos, ao mesmo tempo em que expande competências em áreas como optrônica, sistemas eletro-ópticos, sensores infravermelhos e tecnologias espaciais.
Sobre o movimento, o diretor-geral e CEO do EDGE Group, Hamad Al Marar, afirmou que “a AKAER agrega uma profunda capacidade de engenharia ao EDGE” e ressaltou que a prioridade será “garantir a continuidade para os colaboradores da AKAER, seus programas e seus clientes, ao mesmo tempo em que construímos uma base sólida para o crescimento de longo prazo”.
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Quem é a AKAER e o seu portfólio aeroespacial
Criada em 1992 e com sede em São José dos Campos, a AKAER firmou-se como uma das empresas mais importantes de engenharia do setor aeroespacial brasileiro. Em mais de trinta anos de atuação, contabilizou mais de dez milhões de horas de engenharia, contribuindo para programas militares e comerciais de alcance internacional.
Entre os projetos citados estão o caça Gripen NG, da Saab; o treinador Hürjet, da Turkish Aerospace; as aeronaves de ataque Embraer Super Tucano; o avião de transporte tático KC-390 Millennium; e, no campo civil, as famílias ERJ-E1, ERJ-E2 e Legacy 450/500, da Embraer. A lista inclui ainda trabalhos ligados ao Boeing 747-8, à aeronave B-250, da Calidus, e à modernização da frota de P-3 Orion da Força Aérea Brasileira.
Programas estratégicos no Brasil: EE-09 Cascavel NG
Para além da sua trajetória consolidada na aviação, a AKAER aumentou, nos anos recentes, a sua presença em iniciativas estratégicas voltadas às Forças Armadas do Brasil. Um dos exemplos apontados é a modernização do veículo de reconhecimento de combate EE-09 Cascavel NG, programa no qual a empresa atua como líder do Consórcio Força Terrestre.
Dentro desse esforço, o Exército Brasileiro planeia incorporar, ao longo de 2026, um lote piloto de sete viaturas modernizadas. Esses veículos devem receber melhorias em mobilidade, sistemas optrônicos, comando e controle (C2), câmeras térmicas, visão noturna e uma torre automatizada com capacidades avançadas de controle de tiro.
Estratégia mais ampla do EDGE no Brasil e parcerias
A compra da AKAER insere-se numa agenda mais ampla pela qual o EDGE vem reforçando a sua presença industrial no Brasil. Em entrevista exclusiva concedida à Zona Militar em 2025, o CEO da empresa, Hamad Al Marar, destacou o avanço dessa política de cooperação ao afirmar que “avançamos muito rapidamente no Brasil”, atribuindo esse progresso a um modelo baseado em parcerias com empresas locais para compartilhar riscos, potencializar capacidades industriais e desenvolver soluções mais competitivas para ambas as partes.

Embraer A-29 Super Tucano - Força Aérea Brasileira
Essa linha de cooperação apareceu, de início, na parceria com a SIATT para desenvolver a família de mísseis antinavio MANSUP e a futura versão de maior alcance MANSUP-ER, além do míssil anticarro MAX 1.2 AC. No momento, as duas empresas seguem com a construção de uma nova fábrica de propelentes e explosivos em Caçapava, pensada para apoiar a futura produção em série desses sistemas.
Em paralelo, o EDGE mantém colaboração com outras companhias brasileiras - como a Condor Tecnologias Não Letais - ampliando de forma gradual a sua participação no ecossistema industrial de defesa do país.
O plano de longo prazo do grupo também prevê posicionar o Brasil como um dos seus principais polos internacionais de engenharia e industrialização. Na mesma entrevista à Zona Militar, Al Marar frisou que “a América Latina precisa de presença física” e explicou que a empresa pretende consolidar parcerias duradouras capazes de fortalecer a infraestrutura tecnológica existente, estimular a criação de empregos altamente qualificados e redistribuir a cadeia global de suprimentos, com redução de riscos industriais e logísticos.

Lançamento do míssil antinavio MANSUP
Com a integração da AKAER, o EDGE Group passa a agregar não só uma empresa com competências maduras e um portfólio amplo de programas internacionais, como também reforça uma estratégia assente em cooperação industrial e produção local. A operação, ao mesmo tempo, fortalece a posição do grupo emiradense na América Latina e consolida o Brasil como um dos eixos centrais da sua expansão global nos setores aeroespacial, tecnológico e de defesa.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.
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