Trem K27 volta a ligar Pequim e Pyongyang
Interrompido desde a pandemia de Covid-19, o lendário trem K27, que conecta Pequim a Pyongyang, voltou a circular - um sinal marcante de reaproximação entre a China e a Coreia do Norte.
Nesta quinta-feira, 12 de março, passageiros com destino a Pyongyang partiram da estação de Pequim. O momento chama atenção: o trem K27, que une a capital chinesa à capital norte-coreana, finalmente retoma a operação após seis anos de interrupção forçada em 2020, quando a pandemia de Covid-19 abalou o mundo. Naquele período, a Coreia do Norte - um dos países mais fechados do planeta - havia suspendido quase todas as suas ligações com o exterior. Agora, a rota volta a abrir e, com ela, reaparece um capítulo inteiro da história compartilhada entre os dois países.
Uma ligação ferroviária com origem em 1954
O K27 nasceu em 1954, menos de um ano depois do fim da Guerra da Coreia. Em 3 de junho daquele ano, sob a responsabilidade das Ferrovias da China, o trem levou viajantes pela primeira vez até Pyongyang.
Desde então, o serviço passou por várias mudanças: recebeu um novo nome em 1959, foi promovido à categoria de trem rápido em 1981 e, a partir de outubro de 1983, passou a ser operado em conjunto com as ferrovias norte-coreanas. Já na década de 1980, a frequência chegou a quatro partidas por semana.
“Vizinhos amigos”
São necessárias 24 horas e 41 minutos para percorrer os cerca de 1 300 quilômetros que separam Pequim de Pyongyang. O trajeto acompanha o norte do mar de Bohai, faz parada em Dandong - cidade chinesa na fronteira - e, em seguida, cruza o rio Yalu para entrar em território norte-coreano. Como de costume, há viagens previstas quatro dias por semana, nos dois sentidos. Vale registrar, porém, que as passagens são reservadas a detentores de visto de negócios.
Para o Império do Meio, a volta do K27 está longe de ser um detalhe. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores aproveitou a retomada para reiterar que China e Coreia do Norte são “vizinhos amigos”, destacando que essa ligação estimula os intercâmbios humanos entre os dois países. Trata-se de um recado diplomático explícito, num momento em que a segunda potência mundial busca fortalecer seus laços com Pyongyang.
Hoje, esse trem continua sendo um dos raros fios que conectam a Coreia do Norte ao restante do mundo.
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