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Paracetamol na gravidez: evidências de 2025 descartam ligação com autismo, TDAH e deficiência intelectual

Mulher grávida sentada no sofá segurando remédio, com copo d'água e documentos na mesa.

A gravidez traz um cuidado extra para as decisões do dia a dia. A alimentação passa a ter outro peso, a rotina de sono muda e até remédios comuns viram motivo de dúvida. Uma dor de cabeça leve ou um pouco de febre pode parecer bem mais preocupante do que em outras fases.

Por isso, muita gente grávida pensa duas vezes antes de engolir qualquer comprimido, tentando entender como aquilo pode afetar o bebê em desenvolvimento.

O paracetamol costuma ficar no centro dessa preocupação justamente por ser tão indicado por profissionais de saúde. Pesquisas recentes, porém, ajudam a dar respostas objetivas - e trazem mais tranquilidade.

Novos medos na gravidez

O paracetamol alivia dor e febre e continua entre os medicamentos mais usados durante a gestação no mundo. Ele costuma ser a opção preferida por médicos porque vários outros analgésicos apresentam riscos maiores quando usados na gravidez.

Em 2025, comentários públicos levantaram a possibilidade de existir uma relação entre o uso de paracetamol na gestação e autismo. As manchetes se espalharam rápido e alimentaram dúvidas.

Com isso, algumas pessoas grávidas passaram a evitar tratamento mesmo quando dor ou febre atrapalhavam a rotina. Diante do cenário, cientistas viram a necessidade de revisar as evidências com cuidado e profundidade para encerrar o assunto de forma adequada.

Por que pesquisas anteriores confundiram

Pesquisadores do City St. George’s, da Universidade de Londres, conduziram uma grande revisão sistemática e meta-análise. O grupo avaliou 43 estudos de alta qualidade, vindos de diferentes países e sistemas de saúde.

A investigação partiu de uma pergunta direta: a exposição ao paracetamol durante a gravidez aumenta o risco de autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual?

Para aumentar a precisão, a equipe selecionou apenas estudos com definições claras dos desfechos e com ajuste apropriado para fatores de fundo. Esse filtro reduziu a influência de evidências mais fracas.

Problemas em pesquisas anteriores

Alguns trabalhos anteriores indicaram associações pequenas entre paracetamol e condições do neurodesenvolvimento.

Muitos deles dependeram de relatos baseados na memória de pais e mães ou acompanharam as crianças por pouco tempo. Em vários casos, os registros médicos tinham informações insuficientes.

Autismo e TDAH têm forte componente genético. Além disso, o ambiente familiar, doenças maternas, infecções, febre e dor crónica também influenciam o desenvolvimento infantil.

Quando esses fatores não são devidamente considerados, o uso de um medicamento pode parecer o responsável, mesmo que o resultado esteja ligado a problemas de saúde que já existiam.

Estudos com irmãos trazem mais clareza

Na revisão, houve atenção especial aos estudos de comparação entre irmãos. Neles, os pesquisadores analisaram irmãos nascidos da mesma mãe: em uma gestação houve uso de paracetamol e, em outra, não.

Esse tipo de desenho ajuda a controlar genética compartilhada, ambiente familiar de longo prazo e características parentais. Em estudos tradicionais, separar completamente essas influências costuma ser mais difícil. Já a comparação entre irmãos permite conclusões mais nítidas sobre a exposição ao medicamento.

A análise reuniu dados de mais de um milhão de crianças. A equipa avaliou mais de 260.000 crianças para autismo, mais de 330.000 para TDAH e mais de 400.000 para deficiência intelectual.

Considerando todos os desfechos, os resultados não apontaram aumento de risco associado ao uso de paracetamol durante a gravidez.

O que estudos de laboratório indicam

Cientistas também investigaram efeitos do paracetamol em laboratório. Alguns experimentos sugerem que metabolitos podem influenciar sinalização hormonal, stress oxidativo ou vias químicas relacionadas ao desenvolvimento cerebral.

O paracetamol ainda atravessa a placenta, o que permite a exposição fetal. Isso levanta questões teóricas. Porém, a maior parte dessas evidências vem de estudos com animais ou células. Os dados em populações humanas não confirmam danos.

De forma consistente, estudos grandes que ajustam fatores genéticos e familiares não mostram associação relevante entre a exposição pré-natal ao paracetamol e condições do neurodesenvolvimento.

Checagens rigorosas aumentam a confiança

Os autores avaliaram a qualidade dos estudos com o instrumento QUIPS (Qualidade em Estudos de Prognóstico). Essa avaliação examinou desenho do estudo, medição de exposição, métodos de diagnóstico, controlo de fatores de confusão e relato estatístico.

Os resultados permaneceram iguais quando a análise considerou apenas estudos com baixo risco de viés. Acompanhamentos mais longos, acima de cinco anos, mostraram os mesmos desfechos.

Autismo, TDAH e deficiência intelectual seguiram o mesmo padrão em todas as análises.

Uso de paracetamol na gravidez

“Os nossos achados sugerem que as ligações relatadas anteriormente provavelmente se explicam por predisposição genética ou por outros fatores maternos, como febre ou dor subjacente, e não por um efeito direto do próprio paracetamol”, observou a autora principal do estudo, a professora Asma Khalil, da Universidade de Londres.

“A mensagem é clara – o paracetamol continua a ser uma opção segura durante a gravidez quando usado conforme orientação.”

“Isto é importante porque o paracetamol é o medicamento de primeira linha que recomendamos para mulheres grávidas com dor ou febre, e por isso elas devem sentir-se tranquilas por ainda terem uma opção segura para aliviar os seus sintomas.”

Tratando a dor na gravidez

Dor e febre na gestação podem causar prejuízos reais quando não são tratadas. Pesquisas associam febre sem tratamento a risco de aborto espontâneo, parto prematuro e anomalias congénitas.

Dor persistente também pode afetar a saúde física e a capacidade de realizar atividades do dia a dia.

Nesse contexto, o paracetamol geralmente continua a ser a alternativa mais segura e acessível para controlar dor e febre durante a gravidez. Entidades médicas em diferentes países seguem apoiando o seu uso quando tomado como indicado.

Tranquilidade clara vinda da ciência

Evidências robustas agora substituem anos de incerteza. O uso de paracetamol durante a gravidez não aumenta o risco de autismo, TDAH ou deficiência intelectual.

Genética, contexto familiar e a saúde materna explicam melhor as preocupações anteriores do que a exposição ao medicamento.

Com uma análise científica cuidadosa, o tema fica mais claro e tranquilizador, indicando que gestantes podem tratar dor e febre com mais confiança.

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