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Douglas DC-6B e Lockheed P-38 Lightning da The Flying Bulls cruzam o Atlântico para o EAA AirVenture em Oshkosh em 2026

Avião de hélice prateado estacionado no aeroporto com um piloto caminhando e dois técnicos trabalhando no motor.

Duas aeronaves históricas do acervo austríaco The Flying Bulls estão atravessando o Oceano Atlântico nesta semana com destino ao EAA AirVenture, considerado o maior encontro de aviação do planeta e realizado todos os anos em Oshkosh, nos Estados Unidos.

Um Douglas DC-6B de 1958 e um Lockheed P-38 Lightning da Segunda Guerra Mundial terão, em 2026, sua única participação em um show aéreo público nos EUA, levando ao evento tanto suas trajetórias singulares quanto um trabalho de preservação e atualização técnica feito com extremo rigor.

Travessia atlântica e agenda do EAA AirVenture em Oshkosh

A edição deste ano do evento acontece de 20 a 26 de julho, no Wittman Regional Airport, em Oshkosh, Wisconsin, e corresponde ao 73º encontro de aviação (fly-in) promovido pela Experimental Aircraft Association (EAA).

Os deslocamentos desses dois aviões podem ser acompanhados ao vivo pela plataforma AirNav Radar, com rastreamento em tempo real disponibilizado nas duas telas indicadas no material do evento.

Lockheed P-38 Lightning N25Y: caça twin-boom em operação na Europa

O Lockheed P-38 Lightning, matrícula N25Y, tem 82 anos e reúne um histórico de destaque. A aeronave pertenceu ao renomado piloto de warbirds Lefty Gardner e, atualmente, é o único exemplar desse modelo em condição operacional voando na Europa.

Embora tenha sido construído originalmente nos Estados Unidos, hoje o P-38 está baseado no Hangar-7, instalação da The Flying Bulls em Salzburg, na Áustria. Trata-se de um caça de configuração twin-boom - isto é, com duas estruturas traseiras (duas “fuselas”/braços) - empregado durante a Segunda Guerra Mundial.

Douglas DC-6B OE-LDM: de linha aérea e chefes de Estado à restauração completa

O Douglas DC-6B, matrícula OE-LDM, tem 68 anos e entrou em serviço em 1958 pela companhia aérea iugoslava JAT. Mais tarde, a aeronave passou a ser usada como avião pessoal do Marechal Josef Tito e, na década de 1970, foi vendida ao então presidente da Zâmbia, Kenneth Kaunda.

Depois de permanecer por anos abandonado no Lusaka Airport, o DC-6B foi comprado pela The Flying Bulls em 2000. A aquisição foi seguida por uma restauração extensa, executada ao longo de três anos.

Considerado a joia da coroa da The Flying Bulls, o DC-6B teve uma vida operacional marcada pelo transporte de chefes de Estado e celebridades por diferentes países. A imponência do tamanho e o acabamento característico da década de 1950 chamam atenção de imediato.

Modernização de aviônicos do DC-6B: GPS, computadores e “ADS-B Out/In”

Todos os anos, a aeronave passa por uma inspeção de manutenção completa com duração de oito semanas. No começo de 2020, o DC-6B recebeu uma modernização (retrofit) de aviônicos que incorporou tecnologias mais recentes ao avião. Para viabilizar o projeto, foram elaborados dezenas de desenhos e diagramas de circuitos, confeccionados novos painéis de instrumentos e encaminhados aproximadamente 4 quilômetros de cabos novos.

O foco central da modernização foi a instalação de dois novos equipamentos de navegação, integrados ao conjunto de aviônicos já existente. Esses dispositivos trabalham com GPS, mas também conseguem receber e interpretar sinais clássicos de navegação baseados em estações no solo.

Além disso, foram adicionados dois novos Digital Air Data Computers, responsáveis por medir pressão dinâmica, pressão ambiente e temperatura ambiente, enviando esses dados em formato digital para os sistemas de navegação. O resultado é um ganho de precisão e de integridade do conjunto de navegação.

O DC-6B também recebeu um novo sistema de transponder. No espaço aéreo europeu, o requisito de “ADS-B Out” vem se tornando obrigatório para um número cada vez maior de categorias de aeronaves. Por meio desse recurso, o avião transmite posição e outras informações pelo transponder em intervalos de 1 a 2 segundos.

Os transponders instalados ainda oferecem “ADS-B In”, permitindo captar sinais de outras aeronaves e apresentá-los em um visor para a tripulação. O tráfego aparece no mapa eletrônico dos equipamentos de navegação, o que ajuda os pilotos a identificar rapidamente outros aviões com base em referências geográficas. Esse tipo de solução integra a iniciativa de desenvolvimento do espaço aéreo europeu voltada a simplificar a comunicação e a coordenação entre aeronaves.

O pacote de manutenção e a modernização foram conduzidos como dois projetos distintos. Uma equipe de engenharia ficou responsável pelas rotinas padrão de manutenção, enquanto outra equipe executou o retrofit de aviônicos. Somente a modernização consumiu cerca de 2 mil horas-homem, além de várias centenas de horas-homem destinadas à preparação de documentação técnica e ao gerenciamento do projeto.

Preservar a estética original do cockpit foi um dos pontos mais complexos. Mesmo com a introdução de diversas funções novas, é exigido que aeronaves históricas como o DC-6 mantenham sua aparência tradicional. Por isso, não há instrumentos eletrônicos de voo nem telas grandes em operação: os instrumentos seguem analógicos e a adoção de sistemas modernos não altera o desenho visual da cabine.

As alterações físicas no DC-6 foram finalizadas em junho. Já na segunda etapa do trabalho, estão sendo feitos voos de verificação em diferentes aeroportos e sob condições variadas, em coordenação com a autoridade responsável pelo licenciamento.

The Flying Bulls e a exibição do DC-6B e do P-38 no AirVenture

A frota da The Flying Bulls reúne mais de 40 aeronaves, que vão de caças da Segunda Guerra Mundial a helicópteros atuais. O grupo começou a se formar na década de 1980 por iniciativa do piloto da Tyrolean Airlines, Sigi Angerer, e se expandiu com o apoio do fundador da Red Bull, Dietrich Mateschitz, que contribuiu para formalizar a organização The Flying Bulls em 1999.

Durante o AirVenture, o DC-6B e o P-38 ficarão expostos na Boeing Plaza e também participarão dos shows aéreos vespertinos ao longo de toda a semana.

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