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FAA recomenda preservar gravações do CVR após incidentes; NTSB defendia obrigatoriedade

Pessoa conectando microfone em dispositivo eletrônico laranja sobre mesa em sala iluminada.

Orientação da FAA sobre preservação do CVR

A Federal Aviation Administration (FAA), autoridade reguladora da aviação nos Estados Unidos, publicou uma recomendação para que as companhias aéreas adotem rotinas voltadas a preservar as gravações de áudio dos gravadores de voz do cockpit (CVR) após incidentes de segurança.

Divulgada em 1º de julho, a orientação sugere que os manuais internos das empresas passem a orientar pilotos e outros colaboradores a desligarem, logo depois de eventos reportáveis, os disjuntores dos CVRs. A intenção é impedir que trechos importantes sejam automaticamente sobrescritos.

A FAA também indicou que essas instruções constem de diferentes documentos - manuais de operação de voo, de manutenção e de despacho - para aumentar a probabilidade de a medida ser efetivamente cumprida.

Posição do NTSB e histórico do problema

Mesmo com a orientação, a FAA ressaltou que as ações são voluntárias, ou seja, não têm caráter obrigatório. Isso contrasta com o que o National Transportation Safety Board (NTSB) havia defendido em 2025, quando recomendou que tais procedimentos fossem exigidos, justamente para assegurar acesso integral às gravações durante investigações.

O NTSB vem alertando desde os anos 2000 que a falta de acesso ao áudio do CVR tem comprometido a apuração de diversos acidentes e incidentes.

Parte considerável dos gravadores em operação hoje guarda apenas algumas horas de áudio recente e elimina automaticamente registros anteriores. Ao desligar os disjuntores, evita-se que esse conteúdo seja apagado.

Exemplos em companhias aéreas e aplicação prática

Algumas empresas, como a Alaska Airlines, já incluem a recomendação, embora nem sempre ela seja seguida. Um exemplo citado foi o incidente do voo Alaska 1282, em 21 de janeiro de 2024: o áudio recuperado começou apenas 1 hora e 20 minutos após o evento, o que fez com que a gravação não tivesse utilidade para a investigação.

No relatório, o NTSB classificou o tema como uma preocupação antiga e mencionou ocorrências semelhantes em 2023 e 2017, inclusive um incidente envolvendo a Air Canada. O órgão observou que, apesar de já existirem orientações, muitas companhias ainda não adotaram medidas eficazes para proteger as gravações do CVR após acidentes e eventos reportáveis.

Até agora, a FAA não se manifestou oficialmente sobre qual foi a resposta do NTSB à orientação divulgada.

A Southwest Airlines, por exemplo, já registra em seus manuais a instrução para que pilotos desliguem os disjuntores do CVR depois de incidentes relevantes.

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