O black bass chegou ao Japão em 1925 com o objetivo de incentivar a pesca esportiva, porém a sua dispersão gerou efeitos que não eram esperados. No Lago Biwa, considerado um dos ecossistemas de água doce mais antigos do planeta, esse predador invasor passou a se alimentar de peixes, crustáceos e larvas, aumentando a pressão sobre espécies nativas que não tinham desenvolvido mecanismos de defesa contra ele.
Por que o black bass foi introduzido no Japão?
Nativo da América do Norte, o peixe ganhou fama pela força e pela resistência que demonstra ao ser fisgado. A ideia, na época, era abrir espaço para uma nova atividade recreativa, atrair mais pescadores e impulsionar negócios relacionados a equipamentos, passeios de barco e competições.
Nas primeiras décadas, a iniciativa pareceu promissora. Com o tempo, porém, a espécie escapou dos ambientes onde havia sido solta e alcançou outros rios e lagos. A expansão resultou em diferentes consequências:
- Formação de uma indústria voltada à pesca esportiva;
- Transporte irregular do peixe entre regiões;
- Avanço para áreas com espécies endêmicas sensíveis;
- Intensificação da predação sobre animais aquáticos de pequeno porte.
Como o predador transformou o Lago Biwa?
O Lago Biwa reúne espécies que passaram milhões de anos evoluindo em relativo isolamento. Com a entrada do black bass, peixes pequenos, camarões de água doce, insetos e outros organismos passaram a lidar com um predador maior e pouco seletivo, capaz de interferir em vários níveis da cadeia alimentar.
Quais animais nativos foram afetados?
Os efeitos não ficaram restritos às presas capturadas diretamente. Quando as populações de pequenos peixes e invertebrados caem, também se alteram a oferta de alimento, o desenvolvimento das plantas aquáticas e as interações entre os demais seres vivos do lago.
Entre as consequências associadas à presença desses predadores invasores, destacam-se:
- Queda de peixes pequenos e crustáceos nativos;
- Maior pressão sobre espécies que existem apenas no Lago Biwa;
- Danos à pesca comercial tradicional;
- Mudanças na transparência da água e na vegetação aquática;
- Risco ao nigorobuna, carpa utilizada no preparo do funazushi.
O que o Japão fez para controlar a espécie invasora?
À medida que os prejuízos se acumularam, autoridades passaram a limitar a criação, o transporte e a soltura do largemouth bass, uma das espécies conhecidas como black bass. A lei japonesa voltada a espécies exóticas invasoras, colocada em prática em 2005, ampliou a fiscalização sobre esse peixe e também sobre o bluegill.
Na região do Lago Biwa, pescadores recebem a orientação de não devolver à água os exemplares capturados. Campanhas fazem uso de redes, barreiras e recipientes específicos para recolher os peixes, que podem ser aproveitados na produção de fertilizante ou composto orgânico.
Por que é tão difícil recuperar o equilíbrio do lago?
Quando um predador invasor se estabelece em um ambiente amplo, eliminá-lo por completo passa a ser algo pouco provável. Os peixes se reproduzem, ocupam áreas variadas e seguem atuando em uma cadeia alimentar que já foi modificada por décadas.
A trajetória do black bass no Lago Biwa evidencia que a vantagem recreativa de uma espécie introduzida pode vir acompanhada de perdas ecológicas persistentes. Cientistas, pescadores e moradores tentam agora reduzir a população do invasor, ao mesmo tempo em que protegem peixes endêmicos, práticas tradicionais e habitats formados ao longo de milhões de anos.
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