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Festas de 18 anos viram mini-casamentos: gala, quintas e a maioridade

Noiva rodando com vestido branco enquanto convidados aplaudem em festa ao ar livre.

Festas de gala montadas com a mesma lógica de um casamento passaram a ser, para muitos jovens, a forma de marcar a chegada à maioridade. Seguindo etiqueta e formalidade, entram em cena código de vestimenta, terno e gravata e vestido longo. Há convites, lista de presentes, brindes, fotógrafo, atração musical, fogos de artifício. Aluga-se uma quinta (espaço de eventos), reúne-se o círculo de amigos e a família para um dia memorável - daqueles que se quer inesquecíveis. É um marco que vem ganhando força e que implica gastar centenas ou milhares de euros, sem arrependimento de cada centavo e de cada segundo. São lembranças que se criam com ou sem pressão no pacote.

Festas de 18 anos com cara de casamento

Fernando Menezes e a irmã gêmea, Francisca, estão organizando a festa de 18 anos para setembro, em um sábado à noite, em uma quinta de casamentos e outras comemorações da família, ao sul do Porto. A data foi reservada com um ano de antecedência para um aniversário que deve reunir perto de cem pessoas. Existe código de vestimenta: para eles, terno e gravata; para elas, vestidos. Os convidados serão acomodados em mesas com oito a dez lugares, com os nomes distribuídos previamente. "Como nos casamentos", observa Fernando, que já definiu o visual: terno azul-escuro, camisa branca e gravata vermelha.

Ele admite que as expectativas estão no alto - e diz que não tinha como ser diferente. A ideia é viver algo muito especial, único pelo contexto. "Será um dos momentos mais importantes das nossas vidas", afirma, no plural. Para Fernando, o aniversário também tem um peso de "facto simbólico": último ano do ensino médio (liceu), entrada na universidade, amigos e amigas que se espalham. "É uma espécie de transição que estou a fazer", comenta.

A preparação já está em andamento: conversas entre os irmãos, ajustes aqui e ali, com mãe e pai participando. "Tomamos as decisões em conjunto", garante Fernando. O jantar, ao que tudo indica, será ao ar livre; o cardápio ainda não foi fechado - talvez bifanas, talvez feijoada - e haverá velas ao redor da piscina quando anoitecer. Nos convites, a proposta é pouca formalidade: um grupo no WhatsApp para orientar os convidados, até porque, no dia, haverá um ônibus saindo do Porto no fim da tarde para quem estiver nessa região. O plano é todo mundo chegar à quinta por volta das sete da noite, para a festa começar.

No dia 28 de fevereiro deste ano, Gonçalo Cruz Peixoto comemorou os 18 ao lado do grande amigo Matias, em uma festa conjunta, com os holofotes divididos como os dois queriam. Reuniram duas famílias e os amigos de ambos - cerca de 80 pessoas - na Casa do Ribeirinho, em Matosinhos, um espaço administrado pela mãe de Gonçalo, descrita como incansável e decisiva na organização desse e de outros aniversários.

"Tivemos liberdade para escolher tudo", conta Gonçalo. Eles definiram as bandas favoritas, que serviram de referência para os marcadores nas mesas dos convidados. Contrataram fotógrafo e DJ. "O dress code foi o habitual: fato e gravata para os meninos e vestidos para as meninas, como se fosse um casamento", adianta Gonçalo, que usou um terno escuro e gravata azul-claro. Ele já conhece bem o formato: frequenta várias festas de 18 anos em quintas com serviço de cerimônia.

A comemoração foi até as quatro da manhã, e, para ele, cada minuto da entrada na maioridade valeu. Os convidados chegaram no fim da tarde; os aperitivos foram servidos no jardim; o jantar aconteceu dentro; em outra sala, a pista virou uma pequena balada, com animação geral. Foram exibidos vídeos dos dois amigos em dois momentos - antes da sobremesa e antes de a pista abrir - com fotos e imagens que despertaram lembranças, risadas e bom humor. "Nunca mais vou esquecer esse dia." Há uma cena específica que ficou marcada para Gonçalo: "O brinde que fizemos os dois com todos à nossa volta", diz. Uma foto desse instante registra a alegria: Gonçalo e Matias com sorriso aberto.

Orçamentos, cardápios e logística nas quintas

A Casa do Ribeirinho tem sido muito procurada para aniversários de 18 anos. "Nesta fase, e nos últimos quatro, cinco anos, temos imensas durante o ano todo", revela Liliana Cruz. Ali, não existe uma separação clara entre alta e baixa temporada: trata-se de uma casa senhorial construída ao longo de séculos, com áreas externas, jardins e um pavilhão de vidro, aço, ferro e madeira. As festas de 18 se tornaram frequentes, a demanda disparou e, em alguns períodos, chega-se a uma média de três eventos por semana. "É quase obrigatório, não é um casamento, mas quase."

Quando a agenda da quinta não tem vaga, há famílias que aceitam esperar um ou dois meses. Em época de férias escolares, aparecem aniversários até em dias úteis, fugindo do padrão de sextas e sábados à noite. O cenário é considerado idílico, e o atendimento é cuidadoso e personalizado - tanto para aniversários quanto para casamentos e eventos sociais ou corporativos.

Liliana Cruz diz entender o desejo de jovens e pais. "É uma data que não querem deixar passar em branco, é uma fase muito importante, um momento que marca a maioridade e que os marca bastante." Para famílias que conseguem bancar, a lógica é a de uma noite de gala. "É uma festa de gala, eles vêm de fato, elas de vestido comprido."

Um pouco mais ao norte, a Quinta do Avesso, em Labruge (Vila do Conde), que combina o rústico com o contemporâneo e trabalha sobretudo com casamentos, também abriu espaço para esse tipo de comemoração. Na prática, a equação tem sido: casórios na alta temporada, aniversários na baixa. Hoje, as festas de 18 representam uma parcela relevante da agenda e seguem o padrão “casamento”. "Têm crescido desde o ano passado, este ano aumentaram bastante, têm muita procura", afirma Rita Madanços, gerente da quinta, que descreve o ambiente como sofisticado e acolhedor. Ela lembra que, não faz muito tempo, conversou com a mãe de uma adolescente de 16 anos que já estava planejando os 18 da filha - com bastante antecedência, algo que deixou de ser raro.

Segundo Rita, quem procura o espaço chega com a expectativa bem definida: quer qualidade e quer guardar memórias únicas de uma celebração especial. Os aniversariantes vão de gala - eles de terno e gravata, elas de vestido - e o cardápio fica a cargo da família: pode ser menu de aniversário ou menu de casamento, que é mais caro. O orçamento mínimo começa em 75 euros por pessoa, sem decoração e sem animação musical. Em geral, os grupos têm de 50 a 80 pessoas; o jantar começa por volta das oito ou nove da noite e inclui aperitivos, entradas, refeição, buffet de sobremesas, bolo com fogos de artifício e música. "É um casamento mais pequeno." É uma escolha que passa por preferências e custos. "São festas que estão muito na moda e são sempre famílias com algum poder de compra", ressalta Rita Madanços. Com 80 convidados, a conta pode chegar a seis mil euros.

O boca a boca que vira tradição

Jantar e festa, como manda o figurino. Fernando e Francisca pretendem contratar fotógrafo e DJ. Para Fernando, a trilha sonora pesa muito em uma festa de 18. "É uma coisa que faz ou que quebra uma festa", garante. As regras, nesse ponto, estão fechadas: o DJ vai trabalhar com uma playlist dos aniversariantes, não vai aceitar pedidos de terceiros e a seleção deve circular entre funk, clássicos e músicas dos anos 2010. Fernando dá grande importância a isso. E, ao que tudo indica, a noite vai longe, madrugada adentro. "Quanto mais tarde, melhor."

As contas já começaram a ser calculadas. Como não será preciso pagar o aluguel da quinta, o orçamento fica menor; ainda assim, o restante é feito na ponta do lápis, somando item a item. Em casa, o tema foi discutido e todos vão contribuir igualmente: mãe, pai, Fernando e Francisca. Os gêmeos estudam e têm um trabalho de meio período, na organização de eventos, para juntar dinheiro; Francisca também faz babysitting. Tudo dividido, a ideia é que a parte de cada um não pese tanto. Sobre presentes, entre os jovens convidados costuma funcionar assim: cada um coloca entre 10 e 15 euros para comprar um presente coletivo de maior valor. Francisca talvez indique o que gostaria de ganhar. Fernando admite que não é exigente com presentes, mas revela um desejo grande: juntar dinheiro para fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

Na Casa do Ribeirinho, pedidos detalhados são rotina, com atenção a cada vontade e a cada solicitação. Liliana Cruz diz gostar de organizar essas celebrações; como mãe, foi ela quem montou a festa do filho, Gonçalo, e afirma entender as expectativas de uma data que se quer guardar para sempre. "Tenho todo o gosto de o fazer, de organizar, gosto destas festas", compartilha. O serviço pode espelhar o de um casamento: há vários orçamentos, opção de um prato ou dois, cake design e designer gráfico disponíveis. Antes do evento, acontece pelo menos uma reunião presencial com a família e o aniversariante para definir escolhas e ajustar todos os detalhes.

O mínimo de convidados gira em torno de 50. Os preços começam em 37,5 euros por pessoa, sem bolo, sem DJ e sem bar aberto. A média fica perto de 70 euros e cobre quase tudo; nesse cenário, para 60 pessoas, o gasto chega a 4200 euros. A decoração pode ser personalizada com temas como anos 20, Peaky Blinders, 007, entre outros. Há a possibilidade de fogo preso no jardim na hora de cortar o bolo. A programação começa no jantar e se estende pela noite, em um ambiente apontado como seguro e confortável. "Os pais ficam mais tranquilos, mais sossegados, não há carros a ir para discotecas. Abre a pista e vão para o baile que pode durar até às três ou quatro da manhã", descreve.

Para Rita Madanços, festa é festa, e o que mais atrai é direto: "O maior interesse é o bar aberto, festa pela noite dentro, festa com DJ". Em geral, há um vídeo de apresentação preparado pelos amigos, com fotos engraçadas e cenas embaraçosas, para constranger - em tom de brincadeira - quem está fazendo 18. A disposição das mesas segue o padrão de casamento: uma mesa comprida com o aniversariante, os amigos e a família mais próxima; e mesas redondas com os demais, agrupados por afinidades, como o time de futebol ou de vôlei, a turma antiga do colégio, por exemplo. Nos presentes, Rita observa uma mudança: hoje são mais individuais do que coletivos, como era mais comum tempos atrás.

A festa também pode ter tema - opção mais escolhida por meninas do que por meninos. A Quinta do Avesso se propõe a cuidar de tudo, conforme o pedido, alinhada a um de seus slogans: "Um espaço único onde poderá celebrar a festa da sua vida." Nos quatro meses de baixa temporada, principalmente às sextas e aos sábados, o local realiza entre 10 e 12 festas de 18 anos, em ambiente interno ou externo, se o clima permitir - como aconteceu no último abril.

Mais ao sul, a Quinta do Encanto, em Alcabideche (Cascais), tem realizado festas de 18 anos - em média 20 por ano - sobretudo em dias úteis e na baixa temporada, dependendo da agenda, já que o foco principal são casamentos e batizados.

A procura já existia antes da pandemia, mas cresceu depois, com o reaquecimento da economia; agora, há sinais de maior contenção. Paulo Batista, gerente do espaço, percebe essas oscilações e, ao mesmo tempo, o entusiasmo e o empenho das famílias. "É uma idade única, como todas são, mas é a idade em que se atinge a maioridade. É uma data em que muitos pais fazem um esforço financeiro para proporcionarem uma festa aos filhos. Claro que estes ciclos económicos esmorecem a procura."

A quinta oferece diferentes opções para celebrar os 18. "Não é propriamente um casamento que são mais horas, menus mais complexos", pontua Paulo Batista. Ainda assim, trata-se de uma festa completa, que costuma ir até por volta de uma da manhã: espaço, decoração, jantar, catering, bolo, espumante, DJ, animação musical e pista de LED. Os valores partem de 45 euros por pessoa, conforme a escolha, com reserva mínima para 50 pessoas - o que dá 2250 euros nessas condições. E esse tipo de celebração segue ganhando terreno. "É o passa-palavra, um faz depois o outro acaba por fazer, e acaba por se tornar uma tradição", comenta Paulo Batista.

O ritual, a pressão, o prazer e a celebração

Silvana Mota Ribeiro, professora do Departamento de Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais e pesquisadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, estuda estilos de vida, tendências e sociologia urbana. Ela observa que essas festas de 18 anos foram se consolidando como uma tendência mais estável, com incidência maior a partir de cerca de oito anos atrás. Silvana analisa o tema por duas chaves: a pressão social e a maneira como a sociedade passou a encarar lazer e prazer - algo distante do modo como outras gerações viviam.

"Por um lado, podemos explicar este fenómeno pela pressão de pares. Uma família, alguém de um determinado grupo, decide fazer uma celebração dos 18 anos equivalente a um casamento - num espaço alugado, com serviço de catering - e as restantes famílias sentem que devem, ao seu filho ou à sua filha, o mesmo que os outros pais deram." Uma festa acaba impulsionando a próxima dentro de círculos relativamente fechados - a turma do colégio, o time de futebol, o grupo de balé e assim por diante. A tendência cresce como um ritual de entrada na vida adulta, quase como uma apresentação pública da maioridade.

Pelo outro lado, num plano mais amplo, entra a forma como se vive e se sente o lazer e o prazer. "A ideia de viver os momentos de uma forma celebratória", detalha Silvana Mota Ribeiro. "A nossa sociedade tem evoluído de uma forma que assenta o esforço económico em atividades de lazer." O foco se desloca para a construção de memórias, para a experiência em si, para aquilo que se vive, se sente e fica. Lembranças de férias, aquele jantar único, irrepetível.

E, de fato, há ocasiões intensas que as pessoas descrevem como inesquecíveis. Foi o que ocorreu com uma família do norte do país que preparou a festa de 18 anos da filha mais nova com carinho e dedicação, cuidando de tudo - do guardanapo à lista de convidados, dos copos à decoração - em uma casa senhorial que conquistou a família de primeira, sem que tivessem procurado outro lugar. Aos poucos, tudo foi se encaixando até o grande dia.

Numa segunda-feira à noite, no último março, cerca de 65 convidados celebraram esse marco, planejado no mínimo detalhe. Para a mãe - que prefere não se identificar - o investimento valeu cada centavo. "Foi muito bonito, uma série de emoções, foi um momento de transformação", lembra. Ela afirma que repetiria tudo do mesmo jeito, sem hesitar. "Tudo perfeito, é o que tenho a dizer. A minha filha não vai esquecer nunca mais aquela noite." Nem a filha, nem quem esteve presente: muitos telefonaram no dia seguinte para agradecer pela festa.

O modelo já está incorporado: traje de gala, menu escolhido a dedo, bolo, brinde e música. Festas de 18 como se fossem casamentos circulam mais, são mais comentadas e acabam ficando mais comuns. Se gerações anteriores davam mais valor a bens concretos - um carro, uma geladeira, o que fosse - como sinal de emancipação aos 18, muita coisa mudou. "A partir de um determinado nível de rendimento económico, que não é elevado apesar de tudo, as famílias investem em férias, em cerimónias, numas jantaradas", observa Silvana Mota Ribeiro. As festas de gala de 18 entram nessa lógica. Não é apenas o dinheiro: conta também o empenho em planejar a cerimônia, o prazer de decorar o espaço de certo modo, a atenção aos detalhes. "Estamos a falar de uma sociedade que valoriza o prazer, a celebração, a alegria de estar juntos, com comida, com bebida, mais do que investir em coisas materiais", enfatiza. "As memórias ficam de uma forma imaterial", acrescenta a professora e pesquisadora da Universidade do Minho. Ainda assim, essas festas com pompa costumam incluir foto e vídeo. "Para que esse momento que é efémero fique registado."

Há alguns anos, isso não era comum, mas a Quinta dos Gafanhotos, em Carcavelos (Cascais), passou a receber contatos - especialmente de jovens mulheres - perguntando se o espaço realiza festas de 18 anos e quanto custaria. Entre as ligações e a confirmação, a etapa decisiva é saber se os pais estão, de fato, envolvidos na comemoração; só então a conversa avança. O local, um edifício do século XVII restaurado e adaptado para eventos, com salas de época, jardins e catering preparado ali mesmo, trabalha com foco em casamentos; os 18 anos entram apenas na baixa temporada, com mínimo de 60 convidados. O último aniversário de maioridade ali aconteceu em dezembro do ano passado, para cerca de 80 pessoas. Tiago Esteves diz que esse tipo de pedido simplesmente não existia há alguns anos e que hoje aparece com mais frequência. "É mais simples do que um casamento, menos horas de evento, mais económico", resume. Os convidados vão vestidos à altura, em clima de gala; música é prioridade, e DJ é obrigatório.

A Lua Party & Fun, empresa especializada em eventos, decoração e animação, também percebe um aumento da procura para festas de 18 anos. A partir da sede em Vila Nova de Gaia, atende onde for chamada para criar celebrações únicas - casamentos e aniversários - com um serviço personalizado, pensado sob medida. Elsa Santos confirma que, nos últimos anos, cresceu a vontade de celebrar a maioridade com tudo o que se tem direito, e o volume de trabalho nessa área aumentou.

"Na decoração e animação com DJ. A tendência anda muito pelos pretos e dourados", revela. De acordo com o gosto da aniversariante ou do aniversariante - tanto no visual do espaço, normalmente em quintas do Norte, quanto na seleção musical - a preparação mira a grande noite.

A contratação desses serviços, decoração e animação musical, pode ficar em torno de 600 euros.

No fim, tudo passa por desejo, orçamento, espaço, disponibilidade e detalhes. E há quem se entregue a isso por inteiro, sem pestanejar e sem olhar para trás.

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