Moscatel de Favaios no Navio-Escola Sagres
O Moscatel de Favaios voltou a seguir viagem no Navio-Escola Sagres, desta vez para um novo período de estágio em alto-mar. Duas pipas da colheita de 2010, com 250 litros cada, saíram de Lisboa nesta quinta-feira com destino aos Estados Unidos, dentro de uma missão ligada às comemorações dos 250 anos da independência americana.
Antes do embarque, as pipas foram seladas pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto e colocadas na ponte da embarcação. Ao longo do percurso, o vinho ficará sujeito ao ambiente marítimo, ao balanço constante da navegação, às variações de temperatura e ao efeito do sal. Quando a missão terminar, o Moscatel retornará à Adega Cooperativa de Favaios, onde seguirá em envelhecimento antes de chegar ao mercado.
Para Mário Monteiro, presidente da Direção da Adega Cooperativa de Favaios, a travessia é uma "oportunidade de promoção externa, em particular nos Estados Unidos", onde a marca já é comercializada. Além disso, há a intenção de "explorar o potencial de uma campanha associada a um vinho que faz a viagem" a bordo de um dos emblemas da diplomacia portuguesa.
Junto com as pipas, seguem também outros rótulos da casa - incluindo tintos e brancos Casa Velha, espumantes e Favaítos - destinados à tripulação e às ocasiões oficiais da missão. Porém, ao final do itinerário, apenas o Moscatel voltará em pipa para Favaios. "Depois ficará em estágio na adega até vermos que está no ponto para comercialização", acrescenta Mário Monteiro.
O que a experiência anterior mostrou (Moscatel 1999)
Esta iniciativa marca a segunda ação desse tipo entre a Adega de Favaios e o navio-escola. Em 2018, duas barricas de Moscatel Colheita 1999 acompanharam uma missão do Sagres, em um roteiro de 13.162 milhas náuticas, com escala em dez portos e mais de 95 mil visitantes. No retorno, o resultado acabou surpreendendo a equipe de enologia.
Miguel Ferreira, enólogo da Adega Cooperativa de Favaios, lembra que "a expectativa inicial não era elevada", mas a prova após a viagem foi "uma grande surpresa pela positiva". Segundo ele, o vinho passou a exibir "características de envelhecimento quase equivalentes a quatro ou cinco anos de estágio em cave, quando comparado com o Moscatel que ficou em armazém, em cascos idênticos".
Fatores técnicos do envelhecimento no mar
A razão técnica, explica Miguel Ferreira, estaria na soma de "evaporação de água, oxidação acelerada e amplitude térmica". De acordo com o enólogo, as barricas tiveram uma "perda de volume superior à registada em cave, o que concentrou o vinho". Assim, o Moscatel voltou com "teor alcoólico, açúcar e acidez mais elevados, além de maior complexidade aromática". Ele descreve um perfil "mais rico, com notas de frutos secos e aromas caramelizados, típicos de vinhos licorosos envelhecidos".
Por que o Moscatel Colheita 2010 foi escolhido
Com esse histórico como referência, a adega agora dá início à nova experiência. O Moscatel Colheita 2010 foi selecionado por ser visto como um vinho com grande capacidade de evoluir com o tempo. Miguel Ferreira destaca que a vindima de 2010 foi "um ano muito bom" no planalto de Favaios, com uvas concentradas, boa acidez e maturação equilibrada, sem os picos de calor cada vez mais frequentes no Douro.
As pipas utilizadas são de "carvalho francês com 20 a 30 anos de utilização". O objetivo não é "marcar o vinho com madeira nova", e sim favorecer "micro-oxigenação e trocas gasosas durante a viagem". O enólogo reforça que o colheita de 2010 foi escolhido porque "esse ano foi muito bom no planalto de Favaios". Com o novo ensaio, a equipe quer avaliar se o efeito do mar repetirá o padrão observado no Moscatel de 1999 ou se o de 2010 terá uma resposta diferente.
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Vinho regresso em setembro A missão do Sagres prevê paradas em Hamilton, Norfolk, Baltimore, Nova Iorque, Boston e New Bedford, além de passagem pelos Açores - especificamente pela Praia da Vitória e por Ponta Delgada. Depois da travessia do Atlântico, as pipas ainda seguem de Lisboa para o Funchal, antes do retorno previsto a Lisboa em 21 de setembro.
Líder nacional no moscatel A Adega Cooperativa de Favaios é a maior produtora de Moscatel na Região Demarcada do Douro e lidera o mercado nacional desse tipo de vinho fortificado. A produção anual gira em torno de dois milhões de garrafas de Moscatel Clássico de Favaios, e a cooperativa vem ampliando sua atuação para vinhos DOC Douro - tintos, brancos, rosés e espumantes.
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