Um passageiro identificado como James Bradley Noble, de 34 anos, teve de ser imobilizado pelos sete comissários de bordo que estavam de serviço em um voo da Aer Lingus após um episódio de violência a bordo do voo EI-53, operado por um Airbus A330, na rota entre Dublin e Seattle, conforme documentos judiciais divulgados recentemente.
Voo EI-53 da Aer Lingus entre Dublin e Seattle
Segundo uma declaração juramentada apresentada pelo FBI a um tribunal distrital em Seattle, o caso aconteceu durante um voo transatlântico de nove horas com destino ao aeroporto de SeaTac. Na ocasião, a aeronave sobrevoava a Groenlândia a 36 mil pés de altitude e, naquele momento, não havia uma alternativa imediata de desvio.
Noble, que estava no assento 14B, foi denunciado por interferência com membros da tripulação de voo - uma acusação que pode resultar em pena máxima de 20 anos de prisão e multa de até US$ 250 mil (cerca de R$ 130.500).
Escalada do comportamento de James Bradley Noble
De acordo com a denúncia divulgada pelo site PYOK, após a decolagem o passageiro teria ingerido várias bebidas alcoólicas e passou a apresentar um comportamento progressivamente mais perturbador. Ele teria importunado a passageira sentada ao lado, inclusive com gestos que sugeriam forçar comprimidos na boca da mulher.
A situação se prolongou até o momento em que ele derramou refrigerante sobre a vítima. Depois disso, ela comunicou o ocorrido à tripulação e foi transferida para outro assento.
Cerca de 30 minutos mais tarde, Noble adormeceu. Ao despertar, dirigiu-se à cozinha de bordo localizada na parte central da cabine e, por trás, abordou uma comissária, prendendo-a com os braços de forma agressiva e com as mãos travadas, sem permitir que ela se soltasse.
Contenção a bordo e medidas judiciais
Um integrante sênior da equipe interveio, e Noble foi conduzido de volta ao assento. A comissária permaneceu segurando o passageiro, e foi nesse momento que ele passou a sacudir o assento com violência e a ameaçar a tripulação feminina, incluindo a frase de que iria “arrebentar ela”.
Os pilotos foram avisados, e a tripulação separou um kit de contenção. Para imobilizá-lo, foi necessária a atuação de todos os sete comissários de bordo em serviço. Mesmo depois de algemado e preso ao assento, Noble continuou reagindo com tanta força que os dispositivos de contenção começaram a falhar.
A equipe permaneceu junto ao passageiro, mantendo-o contido e sob observação por aproximadamente duas horas, até que ele começou a se acalmar. Quando restava cerca de uma hora e meia para o pouso, parte da tripulação conseguiu retornar às tarefas regulares.
Mesmo após a entrada no espaço aéreo dos Estados Unidos, os pilotos optaram por seguir até Seattle, em vez de desviar para algum aeroporto alternativo na rota. O avião aterrissou com segurança no Seattle–Tacoma International Airport, onde agentes já aguardavam para realizar a prisão.
Em 20 de junho, Noble foi formalmente acusado de interferência com membros da tripulação. A pedido dos promotores, que apontaram risco de fuga, ele permaneceu sob custódia. Até agora, não há uma nova data definida para audiência.
Se for considerado culpado, a expectativa é que a pena corresponda ao tempo já cumprido, e não a uma sentença longa de prisão. Além disso, ele poderá ter de arcar com eventuais custos de reparação devidos à Aer Lingus.
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