Pular para o conteúdo

Halloween e o verdadeiro medo da vida adulta

Mulher dirige carro com criança fantasiada de bruxa no banco traseiro segurando balde de Halloween.

Halloween e o que mudou com o tempo

Conforme a gente cresce, o Halloween vai ficando em segundo plano. Ele só volta a aparecer com mais força quando viramos pais - e eu estou exatamente nessa fase. Ainda assim, arrisco dizer que, para quem veio antes dos anos 2000, ele nunca teve lá tanta relevância. Tenho a impressão de que não existia essa febre toda em torno do Halloween, existia?

No máximo, servia como pretexto para colocar uma fantasia de vampiro ou fazer cena dizendo que tinha medo do escuro. E tem mais: eu morava num vilarejo em que apertar a campainha de alguém depois das 22h podia render uma salva de tiros de espingarda de caça. Chumbo ou travessura? Hahahaha…

O medo adulto: a luz do motor

Enfim. O tempo passa, e alguns medos ficam para trás junto com a infância. A gente deixa de temer abóboras, fantasmas, zumbis e monstros em geral. Sinto falta dessa época. Os medos da vida adulta são muito mais concretos - e aparecem de todo jeito. Às vezes, até como um pontinho aceso no painel: a luz do motor.

Aquela luz que nos lembra, sem dó, que existem forças escondidas no carro que a gente não controla. Uma presença enigmática que surge do nada, sem aviso, sem explicação e, na maior parte das vezes, sem motivo claro - mas com poder suficiente para transformar um trajeto tranquilo num aperto. É grave? Dá para seguir viagem? Enfim…

A visita ao mecânico (e o verdadeiro terror)

E aí chega a etapa inevitável: levar ao mecânico. Para muita gente, essa experiência é o equivalente adulto a entrar numa casa mal-assombrada. As ferramentas fazem barulho, aparecem ruídos metálicos que parecem vir de lugar nenhum, e fica no ar o pavor dos papéis com orçamentos.

É nessa hora que a gente entende que o terror do Halloween é fichinha perto do terror de um gasto inesperado. Até porque zumbis não cobram fortunas por hora e não atrasam entrega.

Quando eu era criança, os monstros moravam embaixo da cama. Hoje, eles moram embaixo do capô. E não existe vela que resolva - só diagnóstico, código e conta para pagar.

Quem foi que mandou a gente crescer? Feliz Halloween. De preferência, sem luz acesa no painel.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário