Virgin Galactic volta ao jogo do turismo espacial
Depois de dois anos em total silêncio e de uma boa atualização tecnológica, a Virgin Galactic decidiu reabrir seu caderno de encomendas. É o tipo de fantasia feita sob medida para ultrarricos - gente que já circula de Bugatti e passa o verão em Mônaco.
A empresa de Sir Richard Branson quase caiu no esquecimento. Criada em 2004 com a promessa um tanto grandiosa de “democratizar” o acesso ao cosmos, a Virgin Galactic saiu da hibernação depois do canto do cisne da missão Galactic 07, em junho de 2024. Desde então, a companhia deixou de lado seu primeiro protótipo, o VSS Unity, e avançou para uma nova nave: a Delta Class, um veículo de visual futurista pensado para fazer uma sequência de voos e turbinar o fluxo de caixa.
Para chamar atenção, a marca abriu uma oferta relâmpago: 50 bilhetes, nem um a mais, pelo preço salgado de US$ 750.000. É US$ 150.000 acima do valor de 2023 - uma alta que não parece intimidar um público disposto a pagar qualquer coisa por alguns minutos de microgravidade e por ter o nome registrado na FAA (Federal Aviation Administration), comprovando que atingiu o espaço. De quebra, a Virgin Galactic ainda pode usar a novidade para ganhar vantagem sobre a rival Blue Origin, que recentemente optou por suspender suas atividades no turismo espacial.
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Delta Class: a nova “Rolls” da Virgin Galactic
Por US$ 750.000, o acesso é aos voos da Delta Class, cujos testes começam neste verão, com operações comerciais planejadas para o outono. Esses novos aparelhos levam seis passageiros, em vez de quatro, e a Virgin Galactic pretende dobrar a frequência de voos em comparação com o VSS Unity. Mais resistentes, eles exigem manutenção mínima e podem decolar novamente duas vezes por semana.
Mais voos, menos tempo no chão: a meta de 10 missões por mês
No caso do VSS Unity, meses de inatividade entre um voo e outro eram comuns, o que derrubava a rentabilidade. Agora, a empresa mira um objetivo ousado: chegar a dez missões por mês até 2027 - um ritmo acelerado, capaz de esvaziar as contas offshore dos clientes com a mesma rapidez que os tanques de querosene.
Perfil do voo: do VMS Eve a 80 km e retorno ao Spaceport America
Apesar das mudanças, o esquema central continua: é o avião-mãe VMS Eve que leva a Delta Class até cerca de 13.700 metros de altitude antes de soltá-la. A partir daí, vem uma subida muito rápida até a marca dos 80 km - o limite do espaço segundo o padrão americano -, entregando as famosas três minutos de microgravidade para observar a curvatura do planeta. Depois, a nave retorna em voo planado e pousa na pista do Spaceport America, o principal espaçoporto da Virgin Galactic no deserto do Novo México. Uma dose de adrenalina que o cidadão comum jamais conseguirá bancar.
Preço, fila e caixa: os 50 bilhetes como teste de mercado
O CEO Michael Colglazier deixa isso claro: esses 50 bilhetes foram colocados à venda apenas para medir a demanda, antes de “rever os preços para cima”. Para os 675 clientes da primeira leva, que aguardam há uma década com bilhetes comprados lá atrás, a notícia deve ser difícil de engolir. Eles acabam empurrados para o papel de passageiros “de baixo custo” de um tempo que passou, obrigados a esperar enquanto os novos compradores ganham prioridade em nome da sobrevivência financeira da empresa.
Se as novas Delta Class devem ajudar a impulsionar o faturamento, na prática elas também servirão para intercalar esses novos aventureiros de carteiras enormes. São eles que vão cobrir as perdas profundas de uma companhia que precisa de dinheiro novo - agora -, mesmo que isso deixe os pioneiros no banco de reservas. “O último que chega é o primeiro que vai”.
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