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OMS confirma segundo caso de hantavírus no cruzeiro MV Hondius em quarentena em Cabo Verde

Profissional de saúde em traje de proteção coleta sangue de homem com máscara em navio, com mar e montanha ao fundo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta terça-feira um segundo caso de hantavírus no navio de cruzeiro que permanece em quarentena em Cabo Verde e informou que existem ainda outros cinco casos sob suspeita. A entidade também declarou que a Espanha teria aceitado receber a embarcação, mas o Ministério da Saúde de Madri negou a informação, afirmando que ainda não definiu o que fará.

OMS e hantavírus no MV Hondius: casos confirmados e suspeitos

Os dois diagnósticos confirmados envolvem uma mulher que teve contato próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e um passageiro que foi retirado do navio e levado para Joanesburgo, onde permanece em estado grave na UTI.

Quanto aos cinco casos suspeitos - que ainda não tiveram confirmação laboratorial -, eles incluem os dois passageiros que morreram em 11 de abril (um homem) e em 2 de maio (uma mulher), além de três pessoas a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, sendo duas delas integrantes da tripulação.

Enquanto isso, a Oceanwide Expeditions, empresa responsável pelo cruzeiro, está finalizando com as autoridades a retirada de dois tripulantes com sintomas respiratórios - um caso leve e outro grave - que necessitam de atendimento médico urgente.

Passageiros e tripulantes que não demandam cuidados imediatos seguirão a bordo até que seja definido e autorizado um porto para desembarque.

Destino do navio e impasse com a Espanha

"Acreditamos que possa estar a ocorrer alguma transmissão de pessoa para pessoa entre os contactos mais próximos", disse Maria Van Kerkhove, diretora da OMS para a preparação e prevenção de epidemias e pandemias, a jornalistas. A especialista acrescentou que há indícios de que a primeira pessoa infectada possa ter sido contaminada antes de embarcar no cruzeiro, atualmente ancorado próximo a Cabo Verde.

De acordo com Kerkhove, a embarcação deve seguir para as Ilhas Canárias, na Espanha. "Estamos a trabalhar com as autoridades espanholas que... disseram que vão receber o navio para realizar uma investigação completa, uma investigação epidemiológica completa, a desinfeção completa do navio e, claro, para avaliar o risco dos passageiros que estão a bordo", afirmou a dirigente nesta terça-feira.

Ainda assim, um porta-voz do Ministério da Saúde espanhol declarou que Madri ainda não tomou essa decisão, segundo noticiou o jornal El País.

Mais cedo, o diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias da Espanha disse, em entrevista à Catalunya Ràdio, que "não há certeza de que o navio chegue às Canárias". "Tem a bandeira holandesa e ainda estamos a discutir a possibilidade de, em vez de fazer escala nas Canárias, que é o porto mais próximo de Cabo Verde, seguir diretamente [para os Países Baixos]. Essas decisões estão a ser tomadas neste momento; temos uma reunião daqui a pouco", declarou Fernando Simón.

"O ambiente a bordo do MV Hondius permanece tranquilo, com os passageiros calmos", afirmou a Oceanwide Expeditions, acrescentando que trabalha para garantir a segurança de todos e para "agilizar o seu desembarque e exame médico".

Cronologia do surto a bordo (março a maio)

Com 149 pessoas a bordo (88 passageiros) de 23 nacionalidades, o navio fazia o trajeto entre Ushuaia, na Argentina - de onde partiu em 20 de março -, e as Ilhas Canárias, com paradas no Atlântico Sul voltadas ao turismo de observação de vida selvagem. O término da viagem estava previsto para 4 de maio.

Segundo a OMS, os relatos de adoecimento no navio chegaram entre 6 e 28 de abril, principalmente por febre e sintomas gastrointestinais, evoluindo rapidamente para pneumonia, síndrome respiratória aguda e choque. Em 11 de abril, ocorreu a primeira morte a bordo. A causa não pôde ser determinada durante a travessia, e o corpo foi desembarcado em 24 de abril, em Santa Helena, para repatriação. A esposa acompanhou o traslado do corpo do marido.

Alguns dias depois, a operadora do cruzeiro foi informada de que a mulher, que já apresentava sintomas, piorou no retorno e morreu em 26 de abril. Em 4 de maio, confirmou-se que ela havia contraído uma variante do hantavírus. Paralelamente, a OMS anunciou que tenta localizar e contatar os passageiros do voo em que essa mulher - uma cidadã neerlandesa - viajou.

Também em 27 de abril, um outro passageiro, cidadão britânico, adoeceu gravemente e foi removido para a África do Sul. Ele segue internado na UTI em Joanesburgo, em estado crítico, porém estável, com confirmação de uma variante do hantavírus. O terceiro óbito, de uma mulher, foi registrado em 2 de maio, após o início dos sintomas em 28 de abril. A causa da morte ainda não foi determinada.

Roedores infectados

Os hantavírus podem ser transmitidos de animais para humanos, em geral quando a pessoa inala poeira ou partículas muito pequenas provenientes de urina, fezes ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes fechados ou com pouca ventilação.

Nas Américas, alguns hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma enfermidade grave marcada por febre e sintomas gerais, seguida de insuficiência respiratória aguda.

A maior parte dos hantavírus não passa de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, relatado sobretudo em áreas da América do Sul e que já demonstrou capacidade de se disseminar entre humanos. Ainda não se sabe se, no surto atual, a transmissão ocorreu por exposição ambiental ou entre pessoas, nem qual foi a origem da infecção. O hantavírus específico envolvido também não foi identificado.

A OMS avalia, por ora, como baixo o risco desse surto para a população global e afirma que seguirá acompanhando a situação epidemiológica e atualizando a avaliação de risco.

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