Enquanto o Oriente Médio volta a pegar fogo, milhares de turistas acabam presos, em plena zona de guerra, a bordo de cruzeiros de luxo. Para conter o pânico, as armadoras tentam sustentar uma aparência de rotina e tranquilidade diante dos passageiros.
O bloqueio do estreito de Ormuz
No último dia 28 de fevereiro, após o anúncio de uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, Teerã intensificou disparos de mísseis e o envio de drones, fechando na prática o acesso ao estreito de Ormuz. Esse braço de mar, que separa o Irã de Omã, é um dos corredores marítimos mais estratégicos do planeta. Considerado um verdadeiro pulmão do comércio global, por ali passa diariamente uma fatia enorme do petróleo consumido no mundo.
Seis navios de cruzeiro parados em Doha, Dubai e Abu Dhabi
Além de aumentar o risco de alta no preço da gasolina nos postos, a interrupção traz consequências imediatas para quem está viajando na região. No momento, seis navios de cruzeiro estão imobilizados nos portos de Doha, Dubai e Abu Dhabi. Entre eles está o gigante MSC Euribia, além dos Mein Schiff 4 e 5, da alemã TUI, e também os Celestyal Journey e Discovery, da companhia grega Celestyal. A lista de embarcações impedidas de zarpar rumo a águas mais seguras se completa com o navio saudita Aroya Manara.
@chp_dubai
Dubai em 02/03/2026 #dubai #dubai🇦🇪
♬ som original – dubai_online
Sob alta tensão
Para quem trabalha a bordo, o desafio é enorme: manter os passageiros entretidos enquanto se lida com a ansiedade causada pelos alertas de segurança. Os navios viraram, literalmente, refúgios flutuantes, onde se tenta abafar os ruídos do conflito e preservar a sensação de normalidade. Procurada por jornalistas do Le Figaro, a MSC Cruzeiros buscou transmitir segurança sobre o dia a dia dos viajantes:
“No momento, a situação a bordo segue calma. Os passageiros têm acesso total a todos os serviços e instalações, e continuamos a oferecer um alto nível de cuidados, conforto e apoio tanto para os hóspedes quanto para a tripulação”.
Ainda assim, em alguns momentos, a percepção de quem está no local parece bem diferente. Em Abu Dhabi, passageiros do Mein Schiff 4 relataram ter visto um projétil cair no mar não muito longe do casco. O clima fica mais pesado porque voltar de avião é quase inviável, já que o espaço aéreo está amplamente fechado.
Repatriações em negociação e partidas canceladas em março
Diante desse cenário, as companhias correm para tentar viabilizar repatriações. Há conversas em andamento com transportadoras como Emirates e Etihad para priorizar os turistas assim que os corredores aéreos voltarem a abrir. Até lá, os navios permanecem atracados: para as autoridades militares, eles estão mais protegidos no porto do que em mar aberto.
Com uma sequência de cancelamentos das próximas saídas previstas ao longo de março, o setor de cruzeiros no Golfo se prepara para semanas difíceis, à espera de uma desescalada que, por enquanto, ainda parece distante.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário