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Airbus impõe restrições de decolagem a A320 neo com motores Pratt & Whitney

Técnico inspecionando motor de avião com tablet em dia frio no pátio do aeroporto.

Uma nota interna da Airbus - cuja existência foi confirmada pela fabricante a diversos veículos especializados - passa a impor, a partir de agora, limitações de decolagem para vários aviões equipados com motores Pratt & Whitney.

No transporte aéreo comercial, é comum que os motores instalados nas aeronaves sejam acompanhados de perto e recebam aprimoramentos ao longo dos anos. O que foge mais ao padrão é ver uma fabricante como a Airbus restringir a operação de alguns dos seus aviões por causa de um problema de conceção que afeta uma família de motores. Ainda assim, é exatamente isso que aconteceu, segundo informação publicada pela aeroTELEGRAPH e confirmada pela própria Airbus.

Airbus, Pratt & Whitney e as novas regras de decolagem

Várias aeronaves com motores Pratt & Whitney - provavelmente o PW1100G-JM usado nos A320 neo, embora o detalhe ainda não tenha sido oficialmente especificado - deverão seguir procedimentos particulares em determinadas situações de frio extremo. Se o voo tiver de enfrentar nevoeiro com formação de gelo ou se a visibilidade for inferior a 150 metros, a decolagem deverá ser cancelada. Isso levanta a questão: o que está a afetar um motor conhecido pela boa fiabilidade?

Motores que “engasgam” com gelo em alta potência

Na prática, este motor pode mostrar elevada sensibilidade do ponto de vista mecânico, sobretudo quando os pilotos exigem o seu desempenho máximo (como na decolagem), momento em que o compressor e as primeiras turbinas atingem rotações mais altas. Em algumas situações, cristais de gelo podem interferir no conjunto, alterando o fluxo de ar através do motor e, como consequência, provocando oscilações no compressor.

Esse comportamento é descrito como estol transitório do compressor. É um fenómeno relativamente benigno quando previsto e bem gerido, mas que, ainda assim, exige um enquadramento operacional restritivo enquanto não for corrigido.

Fragilidade já acompanhada na família GTF/PW1100G-JM

Os motores Pratt & Whitney desta série (GTF/PW1100G-JM) já vinham a ser acompanhados com atenção há alguns anos por esse tipo de vulnerabilidade. Em cenários mais severos, é conhecido que as pás do fan interno podem congelar (Fan Blade Icing), e até que o motor como um todo seja afetado durante o táxi ou em esperas prolongadas sob condições de frio e humidade.

Corretivo em preparação e contexto de inverno

Felizmente, até agora não foi registado qualquer incidente, e a Airbus afirmou estar a trabalhar em estreita colaboração com a Pratt & Whitney, que prepara um corretivo de software e de hardware para estabilizar o escoamento de ar. A situação, portanto, está totalmente sob controlo - embora seja verdade que o tema surge num momento pouco oportuno, com a chegada do inverno nos países continentais.

Além disso, a Airbus pretende acelerar a cadência de produção do seu avião estrela, o A320 neo, concorrente direto do Boeing 737 MAX 8 - que, por sua vez, carrega uma reputação muito negativa. Este pequeno episódio de inverno não deverá impedir a Airbus de manter a confiança, enquanto a sua principal rival tenta, como pode, reagir à tempestade mediática e à crise interna que a atingem desde 2018.

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