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A misteriosa Faixa de Buracos no Peru pode revelar um sistema de impostos inca

Pesquisador em traje de campo registra dados arqueológicos em sítio com uso de drone e notebook em área montanhosa.

Marcas deixadas pela ação humana no relevo conseguem revelar como os nossos antepassados viveram há centenas - às vezes milhares - de anos. No Peru, um exemplo recente e particularmente esquisito tem chamado a atenção: uma faixa de terreno com cerca de 1,6 km de extensão, coberta por uma sequência de buracos rasos e enigmáticos.

A misteriosa Faixa de Buracos no Peru

Dois arqueólogos defendem que a chamada Faixa de Buracos pode ter integrado um antigo sistema de impostos inca, no qual cavidades forradas com pedras serviam para medir e, depois, redistribuir alimentos. Relatos registados em diários de visitantes europeus que chegaram cedo à América do Sul já indicam que um sistema de tributo desse tipo existia - e a dúvida agora é se esta estrutura pode ser a peça que faltava.

A proposta é de Charles Stanish e Henry Tantaleán, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), que vêm recorrendo a drones para mapear a área. Aliás, acredita-se que o padrão de buracos tenha sido identificado inicialmente por meio de fotografia aérea, com o primeiro registo feito do alto em 1931.

Pistas incas: estrada, cerâmica e uma "colca"

Segundo Annalee Newitz, do Ars Technica, Stanish e Tantaleán chamam a atenção para a posição do trilho: ele fica perto de uma importante estrada inca. Além disso, existem restos de cerâmica inca na região e, não muito longe, vestígios de um armazém (uma "colca").

As colcas eram usadas pelos incas para guardar alimentos e têxteis e, depois, distribuir esses bens entre a população. Isso funcionava como uma forma inicial de sistema tributário, em que a riqueza circulava entre as autoridades e as pessoas que precisavam de apoio. Como em muitas colcas eram utilizadas grades desenhadas no chão para medir mercadorias, Stanish e Tantaleán sugerem que a Faixa de Buracos seria um arranjo semelhante, porém ao ar livre.

Como são os buracos e o que o mapeamento mostrou

Datadas do século XV, as cavidades não são totalmente padronizadas. Cada buraco tem cerca de 0,91 m de largura e entre 51 e 102 cm de profundidade. Em vez de serem escavados diretamente na rocha, foram construídos com terra acumulada e pedras empilhadas - um método que, ainda assim, teria exigido muito trabalho.

Os investigadores começaram a analisar o sítio com maior detalhe em 2015. No levantamento, identificaram diferentes tipos de buracos agrupados em blocos e utilizaram drones com câmaras para registar a posição de mais de 5.000 depressões - uma obra que, na avaliação dos arqueólogos, poderia ter exigido cerca de 100 trabalhadores durante aproximadamente um mês.

Stanish afirma que equipas que escavavam colcas "tinham uma explicação muito boa" sobre como os quadrados eram usados para medir o tributo. "Parece-me provável que os buracos no [sítio da Faixa de Buracos] Monte Sierpe também pudessem ter sido usados para medir tributos", disse ele a Eric A. Powell, da revista Archaeology.

"É o lugar perfeito para parar, medir a sua produção e garantir que tem a quantidade certa de tributo", acrescenta Stanish.

Como acontece com várias descobertas fora do comum, escreve Powell, houve quem especulasse que a faixa de buracos teria sido deixada por alienígenas. Outros sugeriram explicações diferentes, como um marcador de trilha, uma estrutura defensiva ou um geoglifo (um grande desenho gravado na paisagem).

Os arqueólogos pretendem aprofundar o estudo da área para procurar vestígios de milho, feijões, abóbora ou pimentas - sinais que reforçariam a hipótese. Por enquanto, nem todos concordam com Stanish e Tantaleán sobre a função dessas cavidades, mas novas análises podem ser suficientes para demonstrar que se tratava mesmo de um sistema rudimentar para medir impostos.

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