A Carris, empresa pública de transportes de Lisboa, admitiu que a qualidade do serviço vem piorando e disse que quer analisar caminhos para elevar o desempenho da operação, sobretudo no que diz respeito à velocidade média de deslocamento dos ônibus, segundo informou ao jornal Público.
Estudo para otimizar a velocidade comercial da Carris
De acordo com a operadora, foi contratado um estudo junto à consultoria VTM com a finalidade de “identificar e caracterizar oportunidades de melhoria e otimização da velocidade comercial da operação, nomeadamente ao nível da fiabilidade, regularidade e quilómetros percorridos em serviço público”.
O trabalho pretende avaliar, entre outros pontos, o tráfego rodoviário que entra na cidade, já que os ônibus da Carris utilizam as mesmas vias do restante trânsito. O diagnóstico deve trazer propostas objetivas para aumentar a velocidade, a serem implementadas em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa (CML).
Velocidade média dos ônibus em Lisboa segue em queda
Como referência, desde 2022 (inclusive) o recorde de menor velocidade média vem sendo superado. Em 2024, os ônibus da Carris registraram velocidade média de 13,71 km/h, uma redução de 1,3% em relação a 2023 e o menor valor até agora. Para comparação, a maior velocidade média registrada foi de 14,97 km/h, no ano 2000.
No caso dos ônibus elétricos, o desempenho médio foi ainda mais baixo: 8,42 km/h (-7,4% frente a 2023). Já a média combinada dos dois tipos de ônibus ficou em 13,31 km/h (-1,7%).
Carlos Moedas, presidente da CML, reconheceu que o resultado está longe do ideal e apontou as diversas obras em andamento como um fator que tem dificultado a operação da rede. Além da velocidade menor, também houve aumento no número de acidentes envolvendo ônibus, o que contribuiu para a redução do total de passageiros.
Em setembro, a ZERO divulgou um estudo sobre tempos de viagem nas cidades de Lisboa e Porto, comparando transporte público, carro particular e bicicleta. A conclusão foi que o transporte público segue mais lento e menos competitivo do que o carro particular, reforçando a necessidade de medidas urgentes para melhorar a mobilidade urbana.
Quais são as soluções?
Entre as iniciativas já consideradas estão a criação de novos corredores exclusivos para ônibus e a adoção de prioridade semafórica nos cruzamentos mais críticos.
“Pretendemos compreender e quantificar quer os principais fluxos de tráfego rodoviário gerados no interior da cidade, quer os fluxos de penetração ou atravessamento na cidade, por forma a avaliar e mitigar os potenciais impactos na operação”, disse a empresa.
Reorganização da rede da Carris até 2030
Esse plano aparece no momento em que a Carris se prepara para dar início à reorganização da sua rede, que deve começar no próximo ano e ficar concluída em 2030, substituindo a atual, criada em 2006 e conhecida como “rede 7”.
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